Ministro Flávio Dino decidiu que aposentadoria compulsória não pode mais ser aplicada como punição a magistrados.
(Imagem: Marcelo Camargo Agência Brasil)
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou o envio de um ofício oficial ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. O documento estabelece um prazo corrido de 10 dias para a apresentação de toda a documentação de tramitação interna que envolve as emendas parlamentares investigadas por suspeitas de irregularidades e ingerência no uso de verbas públicas.
A ordem judicial determina de forma clara que a Câmara organize os relatórios de maneira individualizada por emenda. Essa medida visa subsidiar as apurações em andamento, que buscam identificar práticas de direcionamento ilícito e possíveis desvios de finalidade na destinação dos recursos financeiros do orçamento federal.
Operação da Polícia Federal investiga influência nas emendas
A determinação do Supremo foi motivada pelas investigações conduzidas pela Polícia Federal na chamada Operação Transparência. Os agentes federais suspeitam que o ex-deputado Eduardo Cunha e o ex-deputado Valdemar Costa Neto operavam um esquema de influência interna na Câmara dos Deputados para direcionar de forma ilícita o repasse das emendas parlamentares.
Diante dos indícios apontados pela apuração policial, as autoridades buscam rastrear todos os passos burocráticos dados pelas emendas dentro do parlamento. O foco principal é mapear quem foram os reais articuladores da liberação dessas verbas públicas e os critérios técnicos ou políticos utilizados na escolha dos municípios ou entidades beneficiadas.
Ministro determina suspensão imediata de pagamentos
Em seu despacho, Flávio Dino também ordenou a intimação imediata da Câmara dos Deputados, da Advocacia-Geral da União e da Controladoria-Geral da União. Os órgãos governamentais devem atuar conjuntamente, dentro de suas competências legais, para suspender de forma imediata qualquer fase de execução financeira dessas despesas (empenho, liquidação ou pagamento).
A decisão do ministro prevê o congelamento total das movimentações financeiras atreladas aos repasses sob suspeita para evitar que novos recursos públicos deixem os cofres da União de forma indevida. Além disso, o documento dita que o sigilo do despacho judicial será totalmente levantado assim que todas as medidas de indisponibilidade patrimonial forem devidamente efetivadas.