Valdemar Costa Neto teve bens bloqueados por ordem do STF após relatórios da PF detalharem controle de verbas na Câmara
(Imagem: Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
A Polícia Federal reuniu indícios contundentes sobre a interferência de agentes externos na destinação de recursos públicos federais. Relatórios de inteligência revelam que o presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar da Costa Neto, mantinha uma rotina de articulação e comando dentro da Câmara dos Deputados idêntica à de um líder de bancada formal, apesar de não exercer mandato eletivo. Segundo os investigadores, o dirigente partidário operou de forma irregular o direcionamento de 21 emendas parlamentares, movimentando um montante de R$ 119 milhões.
O monitoramento técnico da PF interceptou comunicações diretas entre o cacique político e funcionários da estrutura técnica da Casa Legislativa. Os registros revelam uma sistemática de cadastramento fraudulento em planilhas internas de controle de verbas, onde o nome do chefe do partido do ex-presidente Jair Bolsonaro figurava explicitamente no campo reservado ao "parlamentar solicitante".
Os diálogos em posse dos agentes federais expõem a ingerência direta no balcão de negociações do Orçamento Geral da União:
"Fechou o valor do Pres Valdemar?", questiona um dos servidores em mensagem de texto. A tréplica de outro funcionário da estrutura do parlamento detalha a ordem de prioridades: "Pode colocar o máximo que der. Ele tá querendo Turismo".
STF aplica bloqueio milionário e critica "privatização" do erário
A gravidade do arranjo levou o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), a referendar medidas cautelares rigorosas contra o dirigente. O magistrado decretou o bloqueio patrimonial imediato de R$ 119 milhões em contas bancárias e ativos financeiros ligados a Valdemar Costa Neto cifra calculada para equivaler exatamente ao volume de repasses que teriam sido orquestrados pelo aliado do ex-presidente.
Em seu despacho de execução, o ministro do STF classificou como "espantosa" a ascendência e a autoridade exercida pelo dirigente partidário sobre os servidores públicos da Câmara. Dino enfatizou que o investigado carece de qualquer atribuição funcional ou mandato representativo que lhe confira legitimidade jurídica para dispor de verbas do caixa da União.
O ministro sublinhou que as dotações orçamentárias possuem finalidade estritamente coletiva. Ele alertou que os espaços constitucionalmente permitidos para a execução desses recursos não degradam o Erário à condição de patrimônio privado, passível de aquisição, transação ou quotização entre as agremiações partidárias e seus respectivos dirigentes. A defesa técnica do presidente do PL ainda não se manifestou publicamente sobre o teor do relatório da PF e a sanção imposta pela Suprema Corte.