Presidente Lula durante reunião ministerial no Palácio do Planalto ao anunciar mudanças no governo.
(Imagem: Fabio Rodrigues Pozzebom Agência Brasil)
O embate comercial entre o Brasil e os Estados Unidos ganhou um novo capítulo de polarização política interna. O governo federal emitiu uma nota oficial contundente, por meio da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), criticando a postura adotada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante a audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), realizada em Washington.
No comunicado, o Palácio do Planalto classificou a intervenção do parlamentar e pré-candidato à Presidência como uma manobra de "claro objetivo eleitoreiro". A gestão federal acusou o senador de ter sido a única voz vinda do Brasil a não rechaçar formalmente o pacote de tarifas alfandegárias de 25% proposto pela Casa Branca, limitando-se a solicitar uma postergação do cronograma de aplicação das taxas.
Secom aponta isolamento de senador em plenária internacional
A nota da Secom trouxe dados estatísticos sobre o andamento das sessões no comitê de defesa comercial norte-americano para evidenciar o isolamento da posição do congressista fluminense:
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Posicionamento Geral: Das 78 lideranças mundiais e corporativas inscritas para discursar na audiência, 63 manifestaram oposição categórica à instituição das barreiras fiscais;
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Delegação Brasileira: Entre as 34 frentes brasileiras que usaram a palavra englobando ministérios, autarquias e entidades do agronegócio e da indústria, apenas Flávio Bolsonaro não exigiu o arquivamento definitivo do processo;
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Legitimação de Sanções: O Executivo alega que, ao adotar um tom brando, o senador acabou chancelando os argumentos do USTR e validando a legalidade da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA de 1974.
"A postura do parlamentar legitima a investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos e falha em rebater as justificativas sem fundamento técnico apresentadas pelo governo norte-americano para penalizar os produtos de nosso país", destacou o Planalto no documento.
A estratégia diplomática oficial do Itamaraty, apoiada pelas confederações da indústria e da agricultura na mesma audiência, segue a linha de que as práticas econômicas do Brasil não geram prejuízos aos norte-americanos e que qualquer sanção unilateral fere a soberania nacional. A assessoria do senador Flávio Bolsonaro ainda não emitiu uma tréplica oficial sobre as acusações disparadas pelo palácio presidencial.