Aeronave da Força Aérea Brasileira carregada com toneladas de leite em pó destinadas ao apoio social cubano
(Imagem: FAB / Divulgação)
O governo federal brasileiro deu início ao envio de 48 toneladas de leite em pó como medida de ajuda humanitária para Cuba. O país caribenho enfrenta severas dificuldades socioeconômicas decorrentes do recente endurecimento do bloqueio econômico e energético promovido pelo governo dos Estados Unidos. As restrições externas têm sufocado a infraestrutura local e prejudicado o cotidiano da população.
A operação logística é coordenada diretamente pelo Ministério das Relações Exteriores. O primeiro carregamento, contendo 16 toneladas do alimento, partiu nesta segunda-feira a bordo de uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) com destino à cidade de Santiago de Cuba. Um segundo voo está programado para decolar da cidade de Porto Alegre, transportando as 32 toneladas restantes do donativo.
Operação busca combater grave crise de desabastecimento
De acordo com informações oficiais divulgadas pelo Palácio do Planalto, a iniciativa tem como finalidade primordial cooperar para que o país enfrente a grave situação de desabastecimento interno que afeta milhares de famílias. A expectativa é de que as duas aeronaves enviadas pela FAB concluam o trajeto e pousem em solo cubano até a próxima quarta-feira.
A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República relembrou que esta não é a primeira ação de solidariedade promovida pelo Brasil na região. No ano de 2025, o governo brasileiro já havia viabilizado o envio de suporte humanitário à ilha para mitigar os estragos estruturais causados pela passagem do Furacão Melissa. A Secom-PR ressaltou ainda que novas doações de medicamentos e insumos alimentares estão sob análise técnica.
Bloqueio econômico dos EUA asfixia a infraestrutura de Cuba
As barreiras financeiras e comerciais impostas contra Cuba arrastam-se por quase sete décadas, mas ganharam contornos ainda mais rígidos por parte da Casa Branca no fim de 2025. A nova fase de restrições navais afetou o envio de insumos da Venezuela, que ocupava o posto de principal fornecedora de petróleo para o mercado cubano. No início de 2026, novas ameaças de sanções dos EUA a fornecedores estrangeiros deixaram a ilha desabastecida de combustíveis por meses.
Recentemente, as pressões externas aumentaram por meio de sanções direcionadas às áreas de turismo, mineração e contra a petroleira estatal cubana. Esse conjunto de medidas tem provocado apagões constantes na rede elétrica, inflação nos preços de produtos de primeira necessidade, paralisação parcial dos transportes públicos e a redução drástica na distribuição das cestas básicas alimentares fornecidas pelo governo local.