Manutenções programadas podem provocar interrupções temporárias de energia em municípios de Roraima.
(Imagem: Canva)
O bolso dos brasileiros deve sentir o impacto das mudanças climáticas no setor de energia. O fenômeno El Niño projeta reflexos preocupantes para o abastecimento nacional, com o potencial de encarecer a conta de luz de forma generalizada. A explicação para o cenário de alerta está associada a duas consequências diretas provocadas pelo fenômeno na dinâmica do clima: a redução severa no volume de chuvas e o registro de temperaturas acima da média histórica.
Essa combinação climática gera um duplo impacto no sistema de abastecimento nacional. Enquanto as usinas hidrelétricas, que formam a principal base da matriz elétrica do país, sofrem com a estiagem e a diminuição de seus reservatórios, o calor intenso impulsiona o consumo nas residências. Com temperaturas elevadas, a população eleva o uso de aparelhos de ar-condicionado e ventiladores, sobrecarregando a demanda por eletricidade no sistema nacional.
Risco de acionamento de termelétricas eleva custos de produção
Especialistas do setor de infraestrutura e energia apontam que as hidrelétricas brasileiras, consideradas a principal reserva energética do país, operam atualmente em patamares considerados adequados. No entanto, o sistema não dispõe de margem de conforto suficiente para suportar um período prolongado de seca extrema sem que haja consequências sobre as tarifas cobradas dos consumidores.
Diante do esgotamento gradual da capacidade das hidrelétricas, o Operador Nacional do Sistema se vê obrigado a acionar as usinas termelétricas para garantir a segurança do fornecimento. Como as termelétricas utilizam combustíveis fósseis para gerar eletricidade, o custo de produção é significativamente mais alto. Embora o mercado não projete uma explosão descontrolada nas tarifas, a tendência de alta na conta de luz se consolida devido à imprevisibilidade meteorológica.
Impacto atinge beneficiários dos programas de Tarifa Social
A alta projetada nas tarifas não deve poupar as famílias de baixa renda atendidas por programas governamentais de assistência. O benefício da Tarifa Social de Energia Elétrica concede descontos graduais ou mesmo a isenção integral da fatura, mas o modelo de cobrança segue regras rígidas de consumo mensal para manter o subsídio.
Atualmente, o desconto de 100% é restrito às famílias cadastradas que registram um consumo mensal de até 80 kWh. Na prática, qualquer residência que ultrapassar essa faixa de consumo terá de arcar com o valor excedente calculado sobre as novas tarifas vigentes. Dessa forma, os beneficiários da Tarifa Social e também os cidadãos que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC) sentirão o reflexo do aumento se não controlarem o uso diário dos eletrodomésticos.