Estudantes devem ficar atentos aos novos critérios de carência e taxas de juros no Fies 2026.
(Imagem: Antonio Cruz/ Agência Brasil)
O prazo para quem busca financiar o ensino superior ainda neste ano está correndo. Os estudantes interessados em garantir uma vaga no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) para o segundo semestre de 2026 têm até o dia 17 de julho para realizar a inscrição por meio do Portal Único de Acesso ao Ensino Superior. Para milhares de brasileiros, essa é a principal porta de entrada para a graduação em instituições privadas.
Ao todo, o Ministério da Educação (MEC) disponibiliza mais de 44 mil vagas para esta segunda metade do ano, somando-se ao esforço anual que ultrapassa 112 mil oportunidades de financiamento. Mas o processo seletivo deste semestre exige atenção redobrada dos candidatos: além dos critérios tradicionais de nota, há mudanças importantes na estrutura financeira dos contratos.
Na prática, o Fies continua sendo um motor de mobilidade social, mas as recentes decisões regulatórias alteraram as condições de pagamento pós-formação. Entender essas regras é crucial antes de assinar o contrato.
O que muda na prática com as novas regras de carência
A principal mudança técnica vem de uma resolução recente do Conselho Monetário Nacional (CMN). Anteriormente, o período de carência suspendia tanto a cobrança do valor principal quanto a dos juros do financiamento. Agora, sob a Resolução CMN nº 5.328, a carência se aplica apenas ao valor principal da dívida.
Isso significa que os juros acumulados durante esse período de pausa, caso não sejam pagos imediatamente pelo estudante, serão incorporados ao saldo devedor total. Na prática, o custo final do curso pode aumentar para quem não se planejar financeiramente durante a faculdade. Os prazos máximos de amortização, contudo, foram mantidos em até 60 meses para pessoas físicas.
Quem pode disputar as vagas e como funciona o Fies Social
Para se inscrever, o candidato precisa ter realizado qualquer edição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) a partir de 2010, obtendo média mínima de 450 pontos e nota acima de zero na redação. Além disso, o limite de renda familiar per capita é de até três salários mínimos (o equivalente a R$ 4.863 em 2026).
Um dos grandes destaques desta edição é o fortalecimento do Fies Social, que reserva metade das vagas para famílias de baixa renda inscritas no CadÚnico (com renda per capita de até meio salário mínimo). Esses estudantes têm direito ao financiamento integral das mensalidades e contam com uma facilidade burocrática importante: estão dispensados de comprovar renda diretamente na faculdade, necessitando apenas validar as informações acadêmicas junto à Comissão de Supervisão (CPSA).
Atenção aos prazos para não perder a oportunidade
Como o cronograma é curto, a organização é o fator decisivo. Após o encerramento das inscrições em 17 de julho, o MEC divulgará o resultado oficial no dia 30 de julho. Os pré-selecionados deverão complementar suas informações cadastrais entre 31 de julho e 4 de agosto para consolidar o benefício.
Para quem não for contemplado na chamada regular, resta a expectativa da lista de espera, cujas convocações ocorrerão ao longo do mês de setembro. Em um cenário de mercado de trabalho cada vez mais competitivo, garantir o acesso ao ensino superior de qualidade pode definir os rumos profissionais dos próximos anos, tornando o Fies, mesmo com juros reajustados, um recurso estratégico para o futuro.