Romeu Zema definiu proximidade com Bolsonaro como aliança pontual motivada pelo antipetismo
(Imagem: Foto: © Antonio Cruz/Agência Brasil)
O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato do partido Novo à Presidência da República, Romeu Zema, aproveitou uma sabatina pública nesta segunda-feira (6) para estabelecer uma linha de demarcação política em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Durante sua participação em um debate promovido pelo grupo político Derrubando Muros, na capital paulista, o político mineiro teceu críticas à postura do antigo aliado e rechaçou retrocessos institucionais.
"Sou totalmente contrário a qualquer tentativa de golpe", enfatizou Zema, buscando blindar sua imagem perante o eleitorado moderado e consolidar sua plataforma própria de centro-direita para o pleito presidencial.
Zema argumentou que o alinhamento histórico com o bloco bolsonarista deu-se por conveniência eleitoral e devido a uma oposição ferrenha ao Partido dos Trabalhadores (PT). Ele relembrou que seu apoio ao capitão reformado no segundo turno das eleições de 2022 decorreu unicamente do intuito de conter o avanço petista, partido ao qual imputa a desestruturação das contas públicas do estado de Minas Gerais em gestões passadas. "Onde o PT estiver disputando uma eleição, eu vou lá apoiar quem está do outro lado, mesmo sendo o Bolsonaro", justificou.
Divergências sobre a pandemia, urnas e apoio à anistia
A fim de evidenciar sua independência administrativa e ideológica, o pré-candidato do Novo elencou uma série de temas estruturais nos quais agiu de forma oposta à de Bolsonaro:
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Gestão Sanitária: O ex-governador ressaltou que, ao longo da crise de Covid-19, pautou as decisões de Minas Gerais com respaldo na comunidade científica, distanciando-se do negacionismo federal;
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Sistema Eleitoral: Zema declarou-se um democrata convicto e manifestou voto de confiança na lisura das urnas eletrônicas vigentes, embora pondere que a adoção complementar de um mecanismo impresso para auditorias aleatórias traria ainda mais transparência ao processo;
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Independência Partidária: O político reforçou que nunca dividiu a mesma legenda com Bolsonaro e que o ex-mandatário jamais subiu em seus palanques para fazer campanha direta à sua candidatura de governador.
Apesar do esforço para se desvincular do passivo democrático da extrema-direita, Zema adotou uma postura ambígua ao reiterar seu apoio à concessão de uma anistia política a Jair Bolsonaro. Para o mineiro, o caso de responsabilização criminal do ex-presidente poderia ser submetido a uma nova apreciação do Judiciário sob novas perspectivas de pacificação nacional.
A declaração ocorre em um cenário jurídico complexo: o ex-presidente foi condenado em setembro de 2025 pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a uma pena de 27 anos e 3 meses de reclusão em regime inicial fechado. A Suprema Corte fundamentou a sentença apontando Bolsonaro como o mentor intelectual de uma tentativa de golpe de Estado, englobando o fomento de acampamentos de contestação eleitoral, a confecção de minutas de decretos de exceção e o monitoramento clandestino de autoridades públicas.