Flávio Dino determinou investigação sobre emendas ligadas a produtora de filme sobre Bolsonaro
(Imagem: Fabio Rodrigues Pozzebom Agência Brasil)
O ministro Flávio Dino determinou nesta sexta feira a abertura de uma investigação preliminar para apurar o envio de emendas parlamentares a organizações ligadas à produtora responsável pela cinebiografia do ex presidente Jair Bolsonaro.
A decisão foi tomada no âmbito do Supremo Tribunal Federal e a apuração tramitará sob sigilo.
O caso começou após pedidos apresentados pela deputada Tabata Amaral e pelo deputado Pastor Henrique Vieira, que solicitaram providências sobre a destinação de recursos públicos por meio de emendas parlamentares.
Segundo os parlamentares, verbas teriam sido direcionadas ao Instituto Conhecer Brasil e à Academia Nacional de Cultura, entidades ligadas à produtora audiovisual Go Up Entertainment.
A empresa é responsável pelo filme Dark Horse, produção ainda inédita que aborda a trajetória política de Jair Bolsonaro.
Supremo quer esclarecimentos sobre emendas parlamentares
Na decisão, Flávio Dino determinou que os deputados Marcos Pollon, Mário Frias e Bia Kicis prestem esclarecimentos sobre a destinação das emendas parlamentares.
De acordo com as denúncias apresentadas ao Supremo, os recursos teriam sido enviados às organizações entre os anos de 2024 e 2025.
Mário Frias teria destinado cerca de R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil.
Os deputados Marcos Pollon e Bia Kicis negaram que os recursos tenham sido enviados diretamente para a produtora do filme.
Já Mário Frias ainda não havia sido localizado para prestar esclarecimentos ao Supremo, segundo informou a Corte.
Diante disso, Flávio Dino solicitou à Câmara dos Deputados os endereços residenciais do parlamentar em Brasília e São Paulo.
Caso ganhou repercussão após divulgação de conversa
O episódio ganhou maior repercussão após reportagem publicada pelo site The Intercept revelar uma conversa envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo a publicação, o senador teria pedido apoio financeiro privado para a produção do filme sobre Bolsonaro.
Após a divulgação do conteúdo, Flávio Bolsonaro afirmou que não houve negociação de vantagem indevida e declarou que os recursos discutidos eram de origem privada.
A investigação preliminar deverá analisar se houve possível desvio de finalidade na aplicação de recursos públicos destinados às organizações citadas no processo.