Lula e Donald Trump posam para foto durante encontro em compromisso internacional.
(Imagem: Ricardo Stuckert / PR)
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, falou por telefone na manhã desta segunda-feira (26) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em uma conversa de cerca de 50 minutos na qual tratou de temas diplomáticos, de cooperação regional e de agenda global.
Entre os principais pontos debatidos, Lula defendeu que o novo Conselho da Paz, iniciativa idealizada por Trump para atuar na reconstrução da Faixa de Gaza, seja restrito às questões relacionadas apenas a esse conflito e inclua um assento para a Palestina. O pedido consta no comunicado divulgado pelo Palácio do Planalto após o diálogo.
O órgão, proposto pelo presidente norte-americano e em parte apresentado como uma alternativa ou complemento à atuação das Nações Unidas, tem enfrentado críticas por não ter limites claros de atuação e por potencialmente rivalizar com instituições multilaterais tradicionais.
Defesa de uma reforma global
Durante a ligação, Lula também ressaltou a necessidade de uma reforma ampla da Organização das Nações Unidas (ONU), incluindo a ampliação dos membros permanentes do Conselho de Segurança. A proposta faz parte de posições reiteradas pelo presidente brasileiro sobre maior representatividade global e fortalecimento das instituições multilaterais.
O presidente ainda não confirmou se aceitará formalmente o convite para integrar o Conselho da Paz, que foi estendido a vários líderes internacionais e liderado por Trump no contexto da crise na Faixa de Gaza.
Outros temas da conversa
Além da proposta diplomática, o diálogo entre Lula e Trump também abordou a situação na Venezuela. O presidente brasileiro reafirmou a importância de manter a paz na região e defender a estabilidade do país vizinho, enfatizando uma postura de cooperação e diálogo.
Outro ponto destacado foi o fortalecimento da parceria bilateral no combate ao crime organizado, com troca de informações sobre lavagem de dinheiro, tráfico de armas e congelamento de ativos relacionados a grupos criminosos — temas que, segundo a Presidência, foram bem recebidos pela parte norte-americana.
Relações econômicas e futuras agendas
A conversa também tocou em aspectos econômicos, com Lula e Trump ressaltando o impacto positivo do crescimento das economias do Brasil e dos Estados Unidos para a região como um todo. Os dois presidentes celebraram o bom relacionamento construído nos últimos meses, que levou à redução de tarifas sobre produtos brasileiros exportados.
Ao final da chamada, ficou acertado que Lula fará uma visita oficial aos Estados Unidos após sua agenda internacional na Índia e na Coreia do Sul, prevista para fevereiro. A data ainda não foi definida oficialmente.