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Política

Ao abrir ano legislativo, Davi Alcolumbre diz que paz entre poderes não é omissão e reforça papel do Congresso na mediação de crises

03 fev 2026 - 08h19 Joice Gomes   atualizado às 08h21
Ao abrir ano legislativo, Davi Alcolumbre diz que paz entre poderes não é omissão e reforça papel do Congresso na mediação de crises O presidente do Senado Davi Alcolumbre defendeu paz entre poderes, diálogo e respeito ao Estado de Direito na abertura do ano legislativo de 2026. (Imagem: Agência Brasil)

O presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), abriu oficialmente o ano legislativo com um apelo firme por paz, diálogo e responsabilidade entre os Três Poderes, em sessão solene realizada nesta segunda-feira (2), em Brasília.

Em um discurso de tom político e conciliador, ele afirmou que o Brasil atravessa um momento que exige maturidade no convívio com as diferenças, tanto no campo institucional quanto na arena ideológica.

Alcolumbre ressaltou que a retomada dos trabalhos na Câmara dos Deputados e no Senado Federal ocorre em um ambiente de forte polarização e lembrou que a democracia pressupõe divergências, mas não pode tolerar ódio ou violência.

Ao mesmo tempo em que defendeu a pacificação, o presidente do Senado frisou que o compromisso com a harmonia não pode ser confundido com passividade diante de ataques às instituições e ao Estado de Direito.

Mensagem de paz e defesa do estado de direito

Durante o pronunciamento, Davi Alcolumbre insistiu na necessidade de reconstruir pontes entre grupos políticos que pensam diferente, repetindo que o país “precisa, mais do que nunca, de diálogo, de bom senso e de paz”, tanto entre cidadãos quanto entre as instituições nacionais.

Ele destacou que a pluralidade de ideias, culturas e visões de mundo é uma das principais forças do Brasil, mas advertiu que o dissenso não pode se transformar em combustível para radicalizações.

Segundo o presidente do Senado, discordâncias fazem parte da vida pública e são inerentes à política, porém devem se expressar por meio do debate democrático, e não em ataques pessoais, ameaças ou tentativas de deslegitimar o funcionamento dos poderes constituídos.

Alcolumbre também vinculou a ideia de paz à preservação do Estado de Direito, afirmando que a busca por estabilidade institucional exige respeito à Constituição, às leis e às regras do jogo democrático.

Ele observou ainda que o Congresso tem responsabilidade especial em desarmar conflitos que extrapolam o campo do diálogo, oferecendo mediação política antes que crises se aprofundem.

Paz não é sinônimo de omissão, diz Alcolumbre

Um dos trechos mais enfáticos do discurso foi quando Davi Alcolumbre alertou que “defender a paz nunca foi nem nunca será sinônimo de omissão”, rejeitando a ideia de que a conciliação institucional implique recuo diante de abusos ou ameaças.

Ele afirmou que o desejo de paz não significa medo de luta e que a atuação do Parlamento seguirá voltada à defesa de todos os brasileiros, do Estado de Direito e das prerrogativas parlamentares.

O presidente do Senado reiterou que a autoridade do Congresso Nacional é um patrimônio democrático que não pode ser relativizado, e que o Legislativo não abrirá mão de suas competências constitucionais.

Ao falar em “luta”, Alcolumbre fez questão de associá-la ao campo institucional, reforçando que qualquer reação do Parlamento deve ocorrer dentro da legalidade e com respeito às demais instâncias da República.

Ele argumentou que o desafio é combinar firmeza na defesa das atribuições do Congresso com uma postura de responsabilidade, evitando alimentar extremismos num ano considerado sensível para o cenário político nacional.

Congresso como espaço de mediação e respeito entre poderes

Ao longo da fala, Davi Alcolumbre descreveu o Legislativo como um espaço legítimo de mediação política, onde as diferenças devem conviver com respeito e responsabilidade, e não serem potencializadas por discursos de confronto permanente.

Ele disse assumir o compromisso de não ampliar conflitos, mas de ajudar a resolvê-los, buscando construir “consensos possíveis” em vez de alimentar rupturas.

O presidente do Senado frisou que as tensões fazem parte da vida democrática, porém precisam ser tratadas com seriedade e maturidade, em vez de servirem de pretexto para ataques aos poderes constituídos.

Alcolumbre afirmou que o Congresso exercerá suas atribuições com independência, em diálogo permanente com o Executivo e o Judiciário, mas sem abrir mão de sua função de representar a sociedade e fiscalizar o governo.

Para ele, a estabilidade que o Brasil precisa nasce do respeito mútuo entre os poderes, em que cada um conhece seus limites, suas responsabilidades e o papel que desempenha na preservação da ordem democrática.

Isenção do IR até R$ 5 mil e foco em quem vive do salário

Na parte do discurso voltada ao conteúdo legislativo, Davi Alcolumbre destacou a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que ganham até R$ 5 mil, medida que entrou em vigor neste ano e foi classificada por ele como o enfrentamento de uma “distorção histórica”.

Ao tratar do tema, o presidente do Senado afirmou que a mudança beneficia milhões de trabalhadores e trabalhadoras que sentem diariamente o peso de contas, compras e prestações, aliviando o orçamento de quem depende exclusivamente do salário.

Segundo Alcolumbre, ao garantir essa isenção, o Congresso fez uma escolha clara: proteger quem vive do trabalho e cobrar um pouco mais de quem tem maior capacidade contributiva, aproximando o sistema tributário de um modelo mais justo.

Ele sugeriu que a medida se soma a outras ações voltadas a reduzir desigualdades, reforçando o papel do Legislativo na elaboração de políticas que aliviem a carga dos mais pobres e da classe média.

O senador indicou que o tema tributário seguirá no radar das duas Casas, numa agenda que combina responsabilidade fiscal com sensibilidade social na definição de prioridades.

Desafio de conter extremismos em ano decisivo

Ao olhar para o calendário político, Davi Alcolumbre sinalizou preocupação com o avanço de discursos extremados e reforçou que o Congresso não deve se deixar capturar por lógicas de confronto permanente.

Ele disse que a missão do Parlamento é contribuir para reduzir conflitos e conter radicalizações, preservando um ambiente institucional minimamente estável para que o país possa discutir reformas e políticas públicas estruturantes.

O presidente do Senado apontou que a credibilidade das instituições depende da capacidade de entregar resultados concretos para a população, o que exige diálogo e disposição para acordos, mesmo entre adversários políticos.

Nesse contexto, Alcolumbre reforçou que o Legislativo deve ser um ponto de equilíbrio, capaz de traduzir a pluralidade da sociedade sem se tornar refém de pautas que alimentem rupturas.

Para isso, ele voltou a defender a combinação de paz, responsabilidade e firmeza, reiterando que a convivência pacífica entre poderes é condição para que o país avance em meio às diferenças.

  • Alcolumbre pediu paz, diálogo e bom senso entre os Três Poderes e entre grupos políticos divergentes, associando a pacificação ao respeito ao Estado de Direito.
  • O presidente do Senado defendeu a independência do Congresso, prometeu lutar pelas prerrogativas parlamentares e destacou a isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil como medida de justiça social.
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