Projeto-piloto de vacinação contra chikungunya inicia em Mirassol, SP, com vacina do Butantan.
(Imagem: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)
Nesta segunda-feira (2), Mirassol, no interior de São Paulo, tornou-se pioneira na aplicação da vacina contra chikungunya, desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica Valneva. O projeto-piloto, coordenado pelo Ministério da Saúde, beneficia cerca de 37,5 mil habitantes entre 18 e 59 anos, que podem receber o imunizante gratuitamente nas unidades de saúde locais.
A cidade foi selecionada devido ao salto nos casos da doença: em 2024, Mirassol registrou 833 ocorrências prováveis, contra apenas um no ano anterior, segundo o Painel de Monitoramento de Arboviroses. Essa iniciativa representa um avanço na luta contra a chikungunya, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo da dengue e zika.
Mirassol lidera vacinação em SP
O secretário de Estado da Saúde de São Paulo, Eleuses Paiva, destacou o momento como "marco histórico para a saúde pública". Mirassol é a única cidade paulista no projeto inicial, escolhido por critérios como risco epidemiológico, porte populacional e viabilidade operacional. A aplicação segue estratégia em áreas de maior transmissão.
Em 2025, São Paulo somou 7.733 casos de chikungunya e sete óbitos, com 29 casos já em 2026 até janeiro. Nacionalmente, o Brasil enfrentou epidemias, com o Mato Grosso liderando incidências recentes. A vacina chega para reforçar a prevenção em regiões endêmicas.
- Mirassol (SP): única de São Paulo, foco inicial em adultos de 18-59 anos.
- Sabará, Sete Lagoas, Santa Luzia e Congonhas (MG): municípios mineiros selecionados pelo risco de surtos.
- Simão Dias, Lagarto e Barra dos Coqueiros (SE): Sergipe entra na linha de frente contra a doença.
- Maranguape e Maracanaú (CE): Ceará completa os 10 municípios em quatro estados.
Desenvolvimento e aprovação da vacina
A vacina contra chikungunya do Butantan foi aprovada pela Anvisa em abril de 2025, após ensaios clínicos no Brasil e EUA. Testes com 4 mil voluntários mostraram que 98,9% produziram anticorpos neutralizantes após dose única, com bom perfil de segurança e eventos adversos leves. É pioneira por aprovação baseada em imunogenicidade, devido à baixa circulação viral.
O diretor do Butantan, Esper Kallás, enfatizou a importância para regiões endêmicas. A vacina também obteve aval no Canadá, Reino Unido e União Europeia. Estudos pós-vacinação monitorarão efetividade real, comparando vacinados e não vacinados nos municípios pilotos.
Contraindicada para imunodeficientes, imunossuprimidos, gestantes e alérgicos a componentes, segue bula da Anvisa. O Butantan conduzirá monitoramento contínuo de segurança e impacto na redução de casos.
Sintomas e impacto da chikungunya no Brasil
A chikungunya provoca febre alta, dores intensas nas articulações, cabeça, músculos, calafrios, dor retro-orbital e erupções cutâneas. Em casos graves, gera dor crônica que pode durar anos, afetando qualidade de vida. Não há tratamento específico, apenas sintomático com hidratação e analgésicos.
Em 2024, o Brasil teve 263.502 casos e 246 óbitos. Em 2025, quedas iniciais de 64% nos primeiros meses, mas surtos persistem, com Brasil respondendo por 96% dos casos nas Américas. São Paulo registrou a primeira morte de 2026 em Tupã, em paciente com diabetes avançado.
- Febre súbita acima de 38,5°C, durando 2-3 dias.
- Dor articular simétrica, pior nas mãos e pés, podendo persistir meses.
- Cefaleia, mialgia, conjuntivite e rash maculopapular.
- Formas graves: meningoencefalite, miocardite ou hemorragia rara.
Prevenção além da vacina
Enquanto a vacina contra chikungunya avança, eliminar criadouros do Aedes aegypti é essencial. O Ministério da Saúde reforça: não acumule água em vasos, pneus, garrafas ou calhas. Use repelentes, roupas longas e telas em janelas.
Campanhas nacionais, como "Tem 10 minutinhos? A hora de prevenir é agora", visam diagnóstico precoce e eliminação de focos. Receba agentes de saúde e denuncie irregularidades. A vacinação em pilotos avaliará impacto real até 2027.
Essa estratégia integrada pode mudar o cenário das arboviroses no Brasil. Moradores de Mirassol e demais municípios já sentem o alívio de uma proteção inédita. Fique atento aos postos e contribua para um país mais saudável.