Veja como foi a Festa de Iemanjá 2026 no Rio Vermelho, Salvador.
(Imagem: Amanda Ercília/GOVBA)
Desde as primeiras horas desta segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026, a Praia do Rio Vermelho, em Salvador, transformou-se em um verdadeiro mar de fé. Milhares de pessoas vestidas de branco lotaram o local para homenagear Iemanjá, a Rainha do Mar e orixá das religiões de matriz africana.
A celebração, que acontece há 104 anos, atrai devotos de todo o Brasil e até do exterior. Flores, espelhos, perfumes e oferendas variadas foram levadas até o mar em um ritual que mistura tradição, devoção e cultura popular baiana.
O clima era de alegria e gratidão logo cedo. Pescadores, famílias e turistas participaram do cortejo, entregando o tradicional presente ecológico à Iemanjá, simbolizando proteção e fartura nas águas.
Fé que atravessa fronteiras
Devotos como a advogada Patrícia Barros, que veio de São Luís, no Maranhão, emocionaram-se ao contar sua história. “Por ela ser vida em minha vida, ser a mãe de todos os orixás, a mãe de todas as cabeças. Eu sou adepta ao candomblé e devota dela”, relatou Patrícia, carregando flores para a orixá.
Da Itália, chegou a sacerdotisa Mariana dos Santos, trazendo pedidos de amigos e familiares. “Vim agradecer e pedir por mim, pelos meus amigos e familiares. Alguns clientes queridos, que eu levo no coração, todos sabem que eu sou baiana do axé. Todo mundo me pediu que levasse uma florzinha para ela”, explicou.
Essa conexão global reforça o poder de Iemanjá como padroeira dos pescadores, marinheiros e de todos que buscam proteção nas águas. A data, reconhecida desde 2020 como patrimônio cultural de Salvador, une gerações em um só propósito.
Importância para pescadores e comunidade
Para os pescadores do Rio Vermelho, a Festa de Iemanjá é essencial. Eles agradecem pela proteção ao longo do ano e pedem bênçãos para boas pescarias. O pescador Nilinho Garrido destacou: “Aqui tem muitos pescadores que são devotos de Iemanjá, que tem muita fé em Iemanjá mesmo. Admiro muito essa devoção deles e de outros fiéis que vêm aqui fazer a festa”.
O ritual começa ainda na madrugada, com oferendas a Oxum, orixá das águas doces, seguido pela queima de fogos às 5h, anunciando a chegada do dia de Iemanjá. Embarcações saem ao mar com o presente coletivo, um gesto de gratidão e esperança.
A tradição remonta ao início do século XX, quando pescadores, enfrentando escassez de peixes, começaram a oferecer homenagens à Rainha do Mar. Desde então, a celebração cresceu, tornando-se a maior manifestação pública do candomblé na Bahia.
- Desde 1922, pescadores do Rio Vermelho organizam o Presente a Iemanjá.
- Em 2020, tombada como Patrimônio Cultural Imaterial de Salvador.
- Atrai cerca de 1 milhão de pessoas anualmente, segundo estimativas da prefeitura.
- Oferendas incluem flores brancas, espelhos, perfumes e bijuterias, sempre ecológicas.
Presença de autoridades e programação cultural
O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, marcou presença na festa e enfatizou o valor cultural do evento. “Isso é uma agenda cultural muito forte. São os pescadores vindo até o mar, até as águas através de Iemanjá, com um pedido para que suas pescarias, seus produtos, aumentem”, afirmou o governador.
A programação de 2026 foi intensa, com cortejos a partir do dia 1º, shows e feijoadas temáticas. Destaques incluíram apresentações de Mariene de Castro, Samba Gringa e Carlinhos Brown em espaços como Casa Rosa e Villa Caramuru, no Rio Vermelho.
O Afoxé Filhos de Gandhy concentrou seu cortejo às 7h, enquanto eventos como Iemanjá Blue e Rock Yemanjá animaram a praia. A mistura de rituais religiosos e atrações musicais reforça a Festa de Iemanjá como um dos maiores eventos do verão baiano.
Além de Salvador, celebrações ocorreram em outras praias brasileiras, como Copacabana, no Rio de Janeiro, e Forte de São Marcelo, em Maceió. Mas o Rio Vermelho segue como epicentro, preservando a essência afro-brasileira.
A ialorixá Camila, presente no ritual, resumiu o espírito da data: “Iemanjá é mãe, é cuidado e acolhimento. Essa festa reafirma a nossa ancestralidade e a permanência das religiões de matriz africana”.
O pescador Ribeiro completou: “O presente lançado ao mar é um gesto de gratidão e um pedido de proteção para quem vive da pesca”. Esses depoimentos mostram como a fé em Iemanjá sustenta comunidades inteiras.
Origens históricas e significado espiritual
A origem da festa remonta ao tráfico transatlântico de escravizados, mas ganhou força nos anos 1920 com pescadores do Rio Vermelho. Após períodos de escassez, eles prometeram presentes em troca de fartura, consolidando a tradição.
No candomblé e na umbanda, Iemanjá é mãe de todos os orixás, protetora dos lares, crianças e casamentos. Seus filhos usam azul e branco, cores que dominaram a paisagem da praia nesta segunda-feira.
Desde 1967, a festa ganhou organização formal, com acordo entre colônia de pescadores e terreiros. Hoje, é feriado municipal em Salvador, paralisando a cidade em reverência à Rainha das Águas.
- Ritual inicia com oferendas a Oxum após meia-noite.
- Queima de fogos às 5h anuncia o dia oficial.
- Presente ecológico é levado por barcos em cortejo marítimo.
- Eventos musicais estendem a festa até a noite.
A Festa de Iemanjá 2026 reforça a resistência cultural das religiões afro-brasileiras. Em um mundo de desafios, milhares buscam na Rainha do Mar esperança, proteção e união. A devoção continua viva, atravessando mares e gerações.
Imagens aéreas mostram o mar de flores flutuando, enquanto cânticos ecoam pela praia. Essa é a Bahia do axé, onde fé e tradição se encontram no horizonte azul.