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Justiça de São Paulo condena Pablo Marçal a pagar R$ 100 mil de indenização a Guilherme Boulos por fake news na campanha de 2024 para prefeito

02 fev 2026 - 17h32 Joice Gomes   atualizado às 17h39
Justiça de São Paulo condena Pablo Marçal a pagar R$ 100 mil de indenização a Guilherme Boulos por fake news na campanha de 2024 para prefeito Condenação de Pablo Marçal por desinformação contra Guilherme Boulos na eleição de SP 2024. (Imagem: Pablo Marçal/Instagram)

O influenciador digital Pablo Marçal foi condenado pela Justiça de São Paulo a pagar R$ 100 mil de indenização por danos morais a Guilherme Boulos. A decisão veio após Marçal divulgar um laudo médico falso durante a campanha eleitoral de 2024 para prefeito da capital paulista.

A desinformação envolveu acusações graves de uso de cocaína contra Boulos, então deputado federal e hoje ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência. O documento fraudado circulou nas redes sociais de Marçal dias antes do primeiro turno, gerando grande repercussão.

A Justiça Eleitoral agiu rápido na época, suspendendo o perfil de Marçal no Instagram por indícios de falsidade. A Polícia Federal investigou o caso e indiciou o influenciador pela produção e divulgação do laudo falso.

Detalhes da sentença judicial

Na sentença proferida em 29 de janeiro de 2026, o juiz Danilo Fadel de Castro, da 10ª Vara Cível de São Paulo, fixou o valor da indenização em R$ 100 mil. Boulos havia pedido R$ 1 milhão, mas o magistrado considerou o montante razoável e pedagógico.

O juiz destacou que o debate político permite críticas duras, mas não crimes contra a honra ou fabricação de fake news. Ele enfatizou que a liberdade de expressão não protege calúnia ou difamação, especialmente com dolo para destruir reputações.

Perícias da Polícia Civil e Federal confirmaram a falsificação: a assinatura era de um médico falecido em 2022, e o laudo inventava um internamento psiquiátrico por uso de entorpecentes que nunca existiu.

Contexto da campanha de 2024

Em 2024, Pablo Marçal (PRTB) e Guilherme Boulos (PSOL) disputaram acirradamente a prefeitura de São Paulo. Marçal, conhecido por seu estilo agressivo nas redes, associou repetidamente Boulos ao consumo de drogas, inclusive em debates como o da Band.

Dois dias antes do primeiro turno, veio o laudo falso, postado no Instagram. A manobra visava ludibriar eleitores, mas foi desmascarada rapidamente pela perícia da Polícia Científica de SP, que atestou a fraude na assinatura.

O caso ganhou ainda mais peso com o indiciamento da PF em novembro de 2024. A suspensão do perfil de Marçal nas redes marcou um dos episódios mais polêmicos da eleição municipal.

  • Laudo falso apresentado em outubro de 2024, véspera do 1º turno.
  • Suspensão imediata do Instagram por ordem da Justiça Eleitoral.
  • Indiciamento pela PF por uso e divulgação de documento fraudado.
  • Condenação em janeiro de 2026, com indenização de R$ 100 mil.

Impactos e reações

Marçal também foi condenado a pagar custas processuais e honorários advocatícios de 15% sobre a indenização. A decisão é de primeira instância e cabe recurso, mas já serve de alerta contra o uso de desinformação em campanhas.

Guilherme Boulos assumiu a Secretaria-Geral da Presidência em outubro de 2025, substituindo Márcio Macêdo. O cargo envolve diálogo com movimentos sociais e sociedade civil, reforçando sua trajetória política.

Procurados pela Agência Brasil e outros veículos, nem Boulos nem Marçal se manifestaram sobre a sentença até o momento. O caso reacende debates sobre os limites do discurso político nas redes sociais no Brasil.

A desinformação em eleições tem sido combatida com mais rigor. Em 2024, o STF intimou Marçal a depor, e o TRE-SP avaliou cassação de candidatura, embora não tenha ocorrido.

Especialistas em direito eleitoral veem na decisão um precedente importante. Ela reforça que plataformas digitais amplificam danos, exigindo responsabilidade maior de influenciadores que entram na política.

O juiz descreveu a ação de Marçal como "fabricação fria e calculada de uma mentira documental". Ele usou sua "vasta rede de alcance digital" para potencializar o estrago à imagem de Boulos.

Enquanto isso, Boulos segue no governo federal, focado em pautas sociais. Marçal, inelegível por outros motivos em eleições recentes, continua ativo como coach e empresário.

Casos como esse destacam a necessidade de verificação de fatos em tempos de redes sociais. A Justiça tem atuado para equilibrar liberdade de expressão e proteção à honra, especialmente em contextos eleitorais intensos.

A condenação por fake news não é isolada. Outros políticos enfrentaram sanções semelhantes, sinalizando uma tendência de maior responsabilidade no ambiente digital brasileiro.

Para o eleitorado, o episódio de 2024 serve de lição: checar fontes antes de compartilhar é essencial para uma democracia saudável.

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