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Trabalhista

73% dos brasileiros apoiam fim da escala 6x1, diz pesquisa

12 fev 2026 - 18h58 Alexsander Arcelino   atualizado às 19h00
Trabalhadores participam de mobilização em defesa de direitos trabalhistas. Pesquisa mostra amplo apoio popular ao fim da escala 6x1 no Brasil. (Imagem: © Paulo Pinto/Agência Brasil)

Uma pesquisa nacional revelou que o fim da escala 6x1 conta com amplo apoio da população. Segundo levantamento da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, realizado entre 30 de janeiro e 5 de fevereiro nas 27 unidades da Federação, 73% dos brasileiros são favoráveis à proposta, desde que não haja redução de salário.

Foram entrevistadas 2.021 pessoas com mais de 16 anos. O estudo também apontou que 84% defendem que os trabalhadores tenham, no mínimo, dois dias de descanso por semana.

De forma mais genérica, 63% dos entrevistados afirmaram ser a favor do fim da escala 6x1. No entanto, quando questionados sobre a possibilidade de redução salarial, o apoio diminui significativamente.

Salário é ponto central do debate

Entre os que inicialmente apoiam o fim da escala 6x1, 30% afirmam que só mantêm a posição se não houver impacto no salário. Já entre os 22% que se declararam contrários à proposta, 10% disseram que poderiam mudar de opinião caso a remuneração fosse preservada.

Quando a hipótese de redução salarial entra no cenário, o total de favoráveis cai para 28%. Outros 40% apoiam a mudança apenas se não houver perda financeira. Há ainda 5% que se dizem favoráveis ao fim da jornada atual, mas não têm opinião formada sobre a questão salarial.

Para o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, o levantamento deixa claro que a principal discussão no Congresso Nacional será justamente se a redução da jornada ocorrerá com ou sem diminuição da remuneração.

“O brasileiro quer mais folga, mas não aceita ganhar menos. Em um país de renda média baixa e trabalho muitas vezes precarizado, as contas não permitem abrir mão do salário”, avaliou.

Conhecimento sobre a proposta ainda é limitado

A pesquisa também mediu o nível de conhecimento da população sobre o tema. De acordo com os dados, 62% afirmam ter ouvido falar da proposta que tramita no governo federal e no Congresso Nacional. Porém, apenas 12% dizem conhecer bem o conteúdo da medida.

Outros 35% nunca tinham ouvido falar sobre o fim da escala 6x1 até o momento da pesquisa.

Apoio varia conforme posicionamento político

O levantamento indica diferença no apoio conforme o voto nas eleições presidenciais de 2022. Entre os eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno, 71% são favoráveis à proposta. Já entre os que votaram em Jair Bolsonaro, 53% apoiam a mudança.

Ainda assim, em ambos os grupos, a maioria demonstra apoio à redução da jornada semanal.

O que prevê a proposta

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC 148/2015) já foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e ainda precisa passar por duas votações no plenário do Senado e duas na Câmara dos Deputados.

Caso o fim da escala 6x1 seja aprovado, a implementação será gradual. No primeiro ano, as regras atuais seriam mantidas. No ano seguinte, o descanso semanal passaria de um para dois dias. A jornada máxima semanal, hoje fixada em 44 horas, poderá cair para 40 horas a partir de 2027, chegando a 36 horas semanais a partir de 2031.

Outro ponto ainda em debate é se os empregadores poderão ou não reduzir salários para compensar a diminuição da jornada — tema que deve concentrar as discussões no Congresso.

Quando questionados sobre a chance de aprovação da proposta, 52% dos entrevistados acreditam que o texto será aprovado, enquanto 35% acham que não. Outros 13% não souberam opinar.

O levantamento reforça que o desejo por mais descanso é praticamente consenso entre os brasileiros. O impasse, no entanto, continua sendo o impacto no bolso do trabalhador.

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