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Eleitoral

MDB de Mato Grosso do Sul racha sobre possível aliança com Lula em 2026

06 fev 2026 - 20h50 Alexsander Arcelino   atualizado às 20h54
Presidente Lula discursando em evento. Lula participa de fórum internacional para debater economia e integração regional. (Imagem: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil)

A movimentação de setores do Partido dos Trabalhadores (PT) ligados diretamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para atrair o MDB à chapa de reeleição em 2026 já provoca reflexos internos no partido em Mato Grosso do Sul. A oferta da vaga de vice-presidente ao MDB vem sendo mal recebida pela maior parte da legenda no estado, que mantém alinhamento político com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Apesar da resistência majoritária, uma ala minoritária do MDB sul-mato-grossense vê com bons olhos a retomada da aliança com o PT. O grupo lembra que, no passado, os dois partidos caminharam juntos no plano nacional e destaca que o MDB já ocupa espaços estratégicos no atual governo federal, como o Ministério do Planejamento e Orçamento, comandado pela ex-senadora Simone Tebet, filiada ao partido pelo estado.

Embora as conversas ainda estejam em estágio inicial, a simples possibilidade de uma composição nacional com o PT já escancarou um racha interno no MDB de Mato Grosso do Sul, conforme apurado pela reportagem.

Ala contrária rejeita aproximação com o PT

Entre os principais nomes contrários à ideia está o ex-ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República, Carlos Marun, que classificou a eventual oferta da vaga de vice como uma proposta atrativa apenas para diretórios do Norte e do Nordeste do país.

Segundo Marun, não há qualquer chance de o MDB integrar a chapa de Lula na próxima eleição presidencial. Para ele, se essa possibilidade fosse concreta, Simone Tebet não estaria deixando o MDB, em referência ao convite recebido pela ministra para se filiar ao PSB e disputar uma vaga no Senado por São Paulo.

O ex-ministro reforçou ainda que, no cenário nacional, o MDB não deve compor alianças formais nem com o PT nem com o PL, partido do senador Flávio Bolsonaro (RJ). Questionado sobre uma eventual aproximação com o PSD, Marun admitiu que essa hipótese poderia ser considerada, mas destacou que o partido avalia, no momento, a possibilidade de lançar uma candidatura própria.

“Estamos analisando a viabilidade de uma candidatura do ex-presidente Michel Temer para disputar novamente o cargo”, afirmou. Marun disse não saber se a proposta é consenso entre as lideranças do MDB no estado, mas garantiu que pretende discutir o assunto após o Carnaval, quando estará em Mato Grosso do Sul.

Ala favorável aposta em fortalecimento no governo

Na outra ponta, a ala do MDB que defende a retomada da aliança com o PT avalia que a vaga de vice-presidente poderia ampliar significativamente a influência do partido no governo federal. Atualmente, o MDB comanda três ministérios na gestão Lula: Planejamento e Orçamento, Cidades e Transportes.

Um integrante desse grupo destacou que, apesar do otimismo, a possibilidade de o MDB ocupar a vaga de vice ainda é embrionária, já que a direção nacional do partido não abriu formalmente um canal de negociação com o PT.

Caso um acordo avance, os nomes mais citados para compor a chapa de Lula são o ministro dos Transportes, Renan Filho, e o governador do Pará, Helder Barbalho. Ambos, no entanto, possuem planos eleitorais em seus estados, com disputas ao governo e ao Senado no radar.

Divisões históricas e estratégia do PT

A história do MDB é marcada por divisões regionais, inclusive em momentos de alianças nacionais. Nas eleições de 2010 e 2014, quando o partido indicou Michel Temer como vice de Dilma Rousseff, houve dissidências importantes em estados como o Rio Grande do Sul.

Ciente desse histórico, a cúpula do PT avalia que seria inviável contar com apoio integral do MDB. A estratégia, portanto, seria construir uma aliança nacional que garanta tempo de televisão e estrutura, permitindo liberdade aos diretórios estaduais.

Com a decisão do PSD de lançar candidatura própria à Presidência, o MDB passou a ser visto como a principal opção de legenda de centro para compor a chapa de Lula. Apesar das tentativas de aproximação com setores do União Brasil, governistas reconhecem que o partido dificilmente assumirá apoio formal, o que reforça a aposta na oferta da vaga de vice ao MDB.

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