Lula participa de fórum internacional para debater economia e integração regional.
(Imagem: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou publicamente que mantém uma relação de amizade com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, frequentemente apontado como o homem mais poderoso do mundo. A fala ocorreu na última sexta-feira (6), durante um evento oficial na Bahia, onde o governo federal lançou ações do programa Novo PAC Saúde.
Em tom descontraído, Lula comentou sobre a relação com o líder norte-americano e destacou a afinidade entre ambos. Segundo o presidente brasileiro, o respeito mútuo foi determinante para a aproximação. “Eu agora sou amigo do Trump. Ele sempre diz que tivemos uma química, que foi amor à primeira vista. Isso acontece porque ninguém respeita quem não se respeita”, afirmou Lula diante do público.
A declaração reacende o debate sobre a relação entre Lula e Trump, especialmente em um momento de articulação diplomática entre Brasil e Estados Unidos. O primeiro contato entre os dois ocorreu em setembro do ano passado, quando Trump também destacou a boa impressão deixada pelo presidente brasileiro. Na ocasião, o republicano afirmou que houve uma “química excelente”, mesmo com um encontro rápido, que durou apenas alguns segundos.
Encontro entre Lula e Trump pode ocorrer em março
Durante entrevista recente, Lula confirmou que trabalha para um novo encontro com Trump, previsto para a primeira semana de março, em Washington. O objetivo é realizar uma conversa direta, considerada estratégica pelo governo brasileiro. “Estou marcando para ter uma conversa olho no olho com o presidente Trump”, disse o petista.
O Palácio do Planalto já iniciou os preparativos para a viagem, que pode ser decisiva para temas sensíveis da agenda bilateral. Entre os principais assuntos estão a tentativa de reduzir tarifas impostas a produtos brasileiros e o avanço de acordos de cooperação no combate ao crime organizado internacional.
Apesar do discurso público de cordialidade, a relação entre Lula e Trump é tratada com cautela nos bastidores. Assessores do governo brasileiro avaliam que o histórico de Trump em encontros diplomáticos exige atenção redobrada. Em seu atual mandato, o presidente americano já protagonizou situações consideradas constrangedoras com outros chefes de Estado.
Bastidores e experiência diplomática
A equipe de Lula também leva em conta experiências anteriores. Em uma reunião passada, realizada na Malásia, houve desconforto diplomático após a entrada de jornalistas antes do horário acordado entre as delegações, o que gerou ruídos entre as chancelarias.
Ainda assim, auxiliares destacam a ampla experiência internacional de Lula, que já visitou a Casa Branca em diferentes governos, incluindo os de George W. Bush, Barack Obama e Joe Biden. A avaliação interna é que a suposta afinidade entre Lula e Trump pode reduzir tensões, embora não elimine riscos.
Outro ponto em aberto é o formato do encontro. Até o momento, não há definição se Lula será recebido com protocolo oficial completo ou em uma reunião bilateral mais reservada.