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Direitos Humanos

Brasil lidera ranking mundial de assassinatos de pessoas trans e travestis, mesmo com queda em 2025

26 jan 2026 - 09h17 Alexsander Arcelino   atualizado às 09h21
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Ato público denuncia violência contra pessoas transexuais e travestis no Brasil. Manifestação chama atenção para a violência contra pessoas trans no Brasil. (Imagem: Tomaz Silva / Agência Brasil)

Mesmo com a redução no número de casos, o Brasil permanece como o país que mais mata pessoas transexuais e travestis no mundo. Em 2025, foram registrados 80 assassinatos, segundo a nona edição do Dossiê Assassinatos e Violências Contra Travestis e Transexuais Brasileiras, divulgado nesta segunda-feira (26) pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra).

O total representa uma queda de aproximadamente 34% em relação a 2024, quando foram contabilizadas 122 mortes. Ainda assim, o país mantém há quase 18 anos consecutivos a liderança no ranking global de violência letal contra essa população.

Para a presidente da Antra, Bruna Benevides, os números refletem um contexto estrutural de exclusão e negligência institucional.

“Não são mortes isoladas. Elas revelam uma população exposta à violência extrema desde muito cedo, atravessada por exclusão social, racismo, abandono institucional e sofrimento psicológico contínuo”, afirmou.

Distribuição regional da violência

Em 2025, Ceará e Minas Gerais lideraram o número de assassinatos, com oito casos cada. A maior concentração de mortes ocorreu na Região Nordeste, que somou 38 registros, seguida pelo Sudeste (17), Centro-Oeste (12), Norte (7) e Sul (6).

Um levantamento histórico da Antra, que analisou o período de 2017 a 2025, aponta São Paulo como o estado mais letal, com 155 assassinatos registrados.

O perfil das vítimas permanece praticamente inalterado ao longo dos anos: a maioria são travestis e mulheres trans, jovens entre 18 e 35 anos, predominantemente negras e pardas.

Queda nos assassinatos não indica redução da violência

Apesar da diminuição no número de mortes, o dossiê alerta para o aumento das tentativas de homicídio, o que indica que a violência segue em níveis elevados. Para a Antra, a redução registrada não significa, necessariamente, um avanço real no enfrentamento da transfobia.

Entre os fatores apontados para esse cenário estão a subnotificação, o descrédito nas instituições de segurança e justiça, a redução da cobertura da mídia e a ausência de políticas públicas específicas voltadas à proteção da população trans.

Segundo Benevides, a própria necessidade de a sociedade civil produzir esses dados já evidencia uma falha do Estado.

“Se as organizações não monitorarem, essas mortes simplesmente não existem para o poder público”, destacou.

Recomendações e cobrança por políticas públicas

Além do diagnóstico, o dossiê apresenta recomendações direcionadas ao poder público, ao sistema de justiça, à segurança pública e a instituições de direitos humanos, com o objetivo de romper a lógica de impunidade e invisibilidade.

Para a presidente da Antra, o relatório tem papel fundamental de pressão institucional.

“O dossiê constrange o Estado, informa a sociedade e impede o silêncio. Há produção de dados, mas falta ação efetiva dos tomadores de decisão”, afirmou.

Ela defende ainda que políticas de proteção às mulheres também sejam plenamente acessíveis às mulheres trans, ampliando o alcance das medidas já existentes.

A apresentação oficial do dossiê acontece em cerimônia no Ministério dos Direitos Humanos, com entrega do documento a representantes do governo federal.

Violência contra a população LGBT+

Os dados da Antra reforçam números divulgados recentemente pelo Grupo Gay da Bahia (GGB). De acordo com o Observatório de Mortes Violentas de LGBT+ no Brasil, em 2025 foram documentadas 257 mortes violentas, incluindo homicídios, suicídios, latrocínios e outras causas.

O número representa uma queda de 11,7% em relação a 2024, mas ainda equivale a uma morte a cada 34 horas no país. O levantamento também aponta o Brasil como líder mundial em mortes violentas de pessoas LGBT+, seguido por México e Estados Unidos.

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