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Justiça

Brumadinho: 7 anos da tragédia e justiça avança na fase de audiências

25 jan 2026 - 14h15 Joice Gomes   atualizado às 14h19
Brumadinho: 7 anos da tragédia e justiça avança na fase de audiências Saiba os detalhes do rompimento que matou 272 pessoas e as ações de reparação da Vale. (Imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Hoje, domingo 25 de janeiro de 2026, marca exatamente sete anos do rompimento da barragem de rejeitos da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG). O desastre deixou 272 vítimas fatais, incluindo duas gestantes, e mudou para sempre a vida de milhares de pessoas na região metropolitana de Belo Horizonte.

Nayara Porto, viúva de Everton Lopes Ferreira, ainda lembra vividamente daquele 25 de janeiro de 2019. Ela preparava um pudim para o marido, que trabalhava no almoxarifado da Vale, quando ouviu a notícia do rompimento. O desespero tomou conta ao tentar contato em vão, enquanto amigos sobreviventes confirmavam a destruição total do local.

Avanço no processo criminal

Passados 2.557 dias, surge um horizonte de justiça. A 2ª Vara Federal Criminal de Belo Horizonte inicia, no dia 23 de fevereiro, as audiências de instrução da tragédia de Brumadinho. Serão 76 sessões até maio de 2027, ouvindo vítimas não letais, testemunhas e 17 réus.

Onze ex-diretores, gerentes e engenheiros da Vale, privatizada em 1997, e quatro da TÜV SÜD, multinacional alemã contratada para atestar a estabilidade da barragem, enfrentam acusações. O MPF aponta homicídios qualificados, crimes ambientais e omissão de riscos conhecidos, com fator de segurança abaixo do padrão internacional.

  • Denúncia do MPF em janeiro de 2023 contra 16 pessoas, Vale e TÜV SÜD;
  • Aceitação pela Justiça Federal no mesmo mês, tornando-os réus;
  • Desmembramento em três processos: homicídios, crimes ambientais da Vale e da TÜV SÜD.

A juíza Raquel Vasconcelos Alves de Lima decidirá se o caso vai a júri popular. O advogado Danilo Chammas, da Avabrum, destaca provas robustas de conhecimento prévio dos riscos pela lama e omissão de ações preventivas.

Atos de memória e cobrança por punição

Este domingo é marcado por homenagens. Às 11h, a Avabrum realiza ato no Letreiro de Brumadinho, na rodovia MG-40, com fotos das vítimas formando o nome da cidade. O Memorial Brumadinho, que completa um ano, oferece visita guiada às 14h30 e concerto com Fernanda Takai e Orquestra Opus às 16h.

O bosque do memorial planta 272 ipês amarelos, um por vítima, além de espaços meditativos e mirante com vista da área devastada. A Romaria pela Ecologia Integral chega à sétima edição até as 14h. Familiares reforçam: lembrar é evitar repetições.

Dois corpos seguem desaparecidos: engenheiro Tiago Tadeu Mendes da Silva e estagiária Nathália de Oliveira Porto Araújo. Buscas dos bombeiros encerraram após vistoria de 100% do rejeito.

Reparações e críticas à fiscalização

A Vale avança no Acordo Judicial de Reparação Integral, de R$ 37,7 bilhões, com 81% executado até dezembro de 2025. Inclui recuperação socioambiental, abastecimento hídrico e diversificação econômica na bacia do rio Paraopeba, abrangendo 26 municípios.

A empresa investe em segurança de barragens e não comenta o processo judicial. A TÜV SÜD nega responsabilidade, alegando laudos legítimos e vistoria oficial em 2018 sem problemas.

Jornalista Cristina Serra, autora de livro sobre Mariana, compara com o rompimento de 2015 (19 mortes) e afundamento em Maceió (Braskem). Critica mineradoras por priorizar lucros sobre segurança e órgãos públicos por fiscalização burocrática, sem visitas in loco.

A tragédia de Brumadinho expõe falhas sistêmicas na mineração brasileira. Sem punições criminais até hoje em casos semelhantes, as audiências representam esperança para as famílias. A luta por justiça continua, unindo memória e cobrança por mudanças reais no setor.

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