Senador Flávio Bolsonaro atua como porta-voz do pai e busca pacificar divisões internas no Partido Liberal
(Imagem: Foto: Flávio Bolsonaro | Divulgação)
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) emitiu um manifesto por escrito direcionado a seus aliados de primeira linha e à militância conservadora neste sábado (11). No documento, o ex-mandatário faz um apelo contundente pelo fim das hostilidades internas e pede o engajamento irrestrito de seus apoiadores na consolidação do projeto político do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O texto foi lido publicamente pelo próprio parlamentar fluminense, alçado à condição de pré-candidato oficial da legenda à Presidência da República.
A mensagem foi articulada após uma reunião presencial entre pai e filho na residência onde o ex-presidente cumpre regime de prisão domiciliar, decorrente das investigações sobre a tentativa de golpe de Estado. De acordo com relatos do senador, o encontro foi agendado para atualizar o antigo chefe do Executivo sobre os recortes das mais recentes pesquisas internas de intenção de voto e traçar uma estratégia de contenção de danos para estancar a crise que se instalou com a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro.
Na carta, Jair Bolsonaro formalizou a transferência de capital político e delegou poderes de representação ao seu filho mais velho para unificar o campo da direita bolsonarista:
"Saudoso do contato com o povo, ao qual devo lealdade, escrevo em um momento de decisão para o futuro de todos nós. O momento é de arregaçar as mangas, deixar as diferenças de lado e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, violência e do empobrecimento", destacou o ex-presidente no manifesto escrito.
O estopim do racha familiar e partidário
A ofensiva pública de Bolsonaro ocorre em um dos momentos de maior vulnerabilidade e fragmentação do clã político. A crise interna veio a público no final de junho, quando Michelle Bolsonaro publicou um pronunciamento em formato de vídeo alegando ter sido alvo de "humilhações e maus-tratos" desferidos por Flávio Bolsonaro durante as negociações de composição partidária.
O pano de fundo da disputa familiar envolve divergências profundas sobre os rumos eleitorais no Nordeste:
-
O pomo da discórdia: Flávio coordenou uma aproximação tática e negociações de aliança do PL com o bloco político liderado por Ciro Gomes no estado do Ceará;
-
A reação de Michelle: A ex-primeira-dama vetou publicamente o arranjo e teceu críticas severas à coligação com o grupo de centro-esquerda, gerando um forte desgaste interno;
-
A ruptura institucional: Em protesto contra as decisões tomadas pela ala comandada pelo enteado, Michelle abriu mão do cargo de comando e renunciou à presidência nacional do PL Mulher.
Apesar do forte estremecimento e das especulações de bastidores de que Michelle estaria avaliando uma desfiliação partidária para migrar para outra sigla de oposição, interlocutores diretos e assessores do partido negam que a ex-primeira-dama pretenda deixar os quadros do PL. A carta enviada por Jair Bolsonaro funciona como um freio de arrumação na base aliada, na tentativa de blindar a imagem do partido e evitar que a disputa doméstica sabote a viabilidade eleitoral de Flávio.