Testes operacionais da Transnordestina marcam nova fase de integração com o setor produtivo.
(Imagem: Divulgação/MIDR)
A Ferrovia Transnordestina avança para uma nova etapa ao iniciar a construção de sua base de clientes e do modelo comercial, em meio aos testes operacionais realizados entre os estados do Nordeste. A aproximação entre o setor produtivo e a Transnordestina Logística S/A (TLSA) vem se intensificando desde as primeiras viagens experimentais entre o Piauí e o Ceará, despertando o interesse de empresários e produtores.
Para o diretor e sócio da Tijuca Alimentos, Marden Alencar Vasconcelos, a expectativa é de que a ferrovia represente uma mudança significativa nos custos de transporte. “Quando a ferrovia estiver totalmente finalizada, com estrutura de carregamento e descarregamento concluída, a gente enxerga, sim, uma redução real de custos. É praticamente um sonho que agora começa a se realizar”, afirma.
Segundo o diretor Comercial e de Terminais da TLSA, Alex Trevizan, novas operações-teste já estão sendo organizadas com potenciais clientes. A ideia é validar o formato de contratação e operação que deverá se consolidar até 2028, quando a ferrovia estiver plenamente inaugurada. “Após a operação de dezembro, várias empresas nos procuraram interessadas em realizar transportes semelhantes e até de outros tipos de carga”, explica.
Modelo sob demanda
O modelo adotado pela Transnordestina permite a contratação individual de vagões, conforme a necessidade de cada cliente. São considerados fatores como tipo de mercadoria, volume transportado, frequência das viagens e terminais de origem e destino.
Uma mesma locomotiva, com cerca de 20 vagões, pode transportar cargas distintas de diferentes empresas em uma única viagem, ou até o mesmo produto com vagões pertencentes a contratantes diversos. A partir da proposta apresentada pelo cliente, a TLSA passa a desenhar toda a cadeia logística, avaliando a infraestrutura necessária para cada tipo de carga.
Após autorizações da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e do Ibama, as duas primeiras viagens da ferrovia transportaram milho e sorgo adquiridos exclusivamente pela Tijuca Alimentos.
Operação-teste e integração logística
O primeiro contato entre a Tijuca e a Transnordestina ocorreu em 2024, evoluindo até a formalização da operação-teste no ano seguinte. Segundo Marden, a negociação envolveu simulações detalhadas dos custos e da logística integrada entre rodovias e ferrovia.
No modelo testado, os grãos foram levados por caminhões das fazendas até o terminal ferroviário de Bela Vista do Piauí (PI). De lá, seguiram pela ferrovia até Iguatu (CE), onde voltaram a ser transportados por rodovias até as unidades da empresa em Beberibe e Horizonte, no Ceará.
Mesmo com a ferrovia ainda em fase experimental, a empresa aceitou operar com margem reduzida de lucro. “Assumimos o risco e mostramos que acreditamos no projeto. Estamos construindo juntos um modelo mais justo e eficiente”, ressalta o empresário.
Terminais logísticos
A Transnordestina também prevê a atuação integrada com terminais logísticos de gestão privada, permitindo que clientes negociem diretamente com operadores para serviços de armazenagem e descarregamento. Há ainda a possibilidade de que o próprio investidor do terminal atue como comprador da carga, reduzindo intermediários e aumentando a eficiência.
A TLSA planeja instalar entre seis e oito terminais logísticos em pontos estratégicos, como Eliseu Martins e Bela Vista do Piauí (PI), Trindade e Salgueiro (PE), além de Missão Velha, Maranguape e o Porto do Pecém (CE). No porto cearense, o TUP NELOG, do Grupo CSN, conectará a ferrovia ao sistema portuário, facilitando operações de exportação e importação.