Romário pode ter todos os rendimentos de sua participação na cobertura da Copa retidos por ordem judicia
(Imagem: Foto: © Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
O ídolo do futebol nacional e atual parlamentar enfrenta uma severa ofensiva jurídica que ameaça seus ganhos no mercado de entretenimento esportivo. Contratado como uma das grandes estrelas da CazéTV para analisar os lances da Copa do Mundo 2026, o ex-jogador e senador Romário teve seus vencimentos e cachês bloqueados. A ordem de execução partiu do juízo da 4ª Vara Cível da Regional da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, com o objetivo de amortizar um passivo financeiro de R$ 32,4 milhões.
O despacho judicial impõe obrigações diretas à LiveMode (empresa gestora da CazéTV). A emissora digital foi notificada a exibir em juízo cópias autênticas de todos os contratos de prestação de serviços celebrados com o ex-atleta, incluindo minutas de propostas, notas fiscais, recibos de quitação e comprovantes bancários de depósitos anteriores. A companhia precisará detalhar se a contratação envolveu agências parceiras de publicidade ou outras produtoras consorciadas no pool de transmissão do torneio internacional, identificando formalmente a pessoa jurídica pagadora.
Histórico de execuções: lancha, Porsche e imóveis retidos
O bloqueio dos proventos de mídia na Copa do Mundo é mais um capítulo de um cerco patrimonial que se arrasta há anos. Antes de mirar o salário de comentarista, a cobrança judicial já havia promovido a expropriação forçada de outros ativos de alto padrão do senador:
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Bens Móveis de Luxo: Oficiais de Justiça já efetivaram a apreensão de uma lancha de grande porte e de um automóvel esportivo da marca Porsche;
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Bloqueios de Trânsito: Por meio do sistema eletrônico Renajud, foram lançadas restrições de circulação e transferência sobre dois veículos utilitários (modelos Audi e Peugeot) associados ao devedor;
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Patrimônio Imobiliário: Um imóvel residencial pertencente ao ex-centroavante foi penhorado e levado à avaliação judicial para futuro leilão.
A origem do litígio financeiro remonta a um antigo negócio de entretenimento noturno mantido pelo tetracampeão, o Café Onze Bar. O estabelecimento havia firmado uma parceria comercial com a empresa Koncretize para a gestão de um estacionamento rotativo moderno dotado de elevadores hidráulicos para automóveis.
De R$ 1,5 milhão a R$ 32,4 milhões: o crescimento da dívida
Com o encerramento definitivo das atividades do bar no ano de 2011, o contrato de prestação de serviços foi rompido de forma litigiosa, desencadeando um racha jurídico a respeito da logística de retirada dos maquinários e veículos do local. Devido ao descumprimento continuado das cláusulas penais, o débito inicial escalou rapidamente.
Romário chegou a firmar um Termo de Confissão de Dívida reconhecendo um passivo de cerca de R$ 1,5 milhão para tentar pacificar a disputa. Contudo, os advogados da Koncretize sustentam que nenhuma parcela do acordo amigável foi quitada. Ao longo de 15 anos, a incidência massiva de juros moratórios, multas contratuais acumuladas, correção monetária inflacionária e custas processuais inflaram a cobrança até atingir o patamar atual de R$ 32,4 milhões. A assessoria do senador não emitiu manifestação oficial até o momento.