Presidente do PSDB optou por arquivar o plano de candidatura presidencial devido à ausência de uma coligação partidária ampla
(Imagem: Foto: © Wilson Dias/Agência Brasil)
O cenário de forças para a corrida presidencial sofreu uma baixa de peso no campo da chamada terceira via. O deputado federal e ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, atual presidente nacional do PSDB, descartou oficialmente a possibilidade de lançar seu nome na disputa pelo Palácio do Planalto. O tucano, que vinha sendo fortemente estimulado por lideranças de legendas aliadas a reviver o protagonismo nacional do partido, declarou que o momento político exige "ter os pés no chão".
O recuo ocorre poucas semanas após a Federação PSDB-Cidadania ter aprovado por unanimidade a sua pré-candidatura em convenção partidária. A articulação em torno de seu nome havia sido liderada pelo deputado Alex Manente (SP), presidente nacional do Cidadania e vice-presidente da federação, que defendia a figura de Aécio como o vetor ideal para romper o cenário de extrema polarização e centralizar o debate público nas reformas econômicas estruturais que o país demanda.
Bastidores da decisão e falta de blocos de apoio
Apesar do entusiasmo de correligionários, o parlamentar mineiro já vinha sinalizando forte pragmatismo nos bastidores. Em manifestações prévias, Aécio havia condicionado sua entrada na disputa à costura de uma coalizão robusta de centro, rejeitando o papel de candidato de uma sigla isolada.
"Não vou fazer uma travessia solitária. Isso só tem sentido se tiver alguma possibilidade de uma aliança maior com outras forças políticas", cravou o tucano, sinalizando que a falta de acordos interpartidários de grande porte selou o recuo.
A movimentação de bastidores para a montagem de um eventual plano de governo já estava em andamento. O cacique político confirmou que chegou a ser procurado por antigos coordenadores e economistas de sua histórica campanha presidencial de 2014 quando disputou o segundo turno contra Dilma Rousseff, além de formuladores de políticas sociais, com o intuito de desenhar as diretrizes de uma nova plataforma programática. Com o veto do próprio Aécio à sua candidatura, a federação partidária deve abrir novas rodadas de diálogo para redefinir seu posicionamento estratégico na eleição majoritária.