Lula participa de fórum internacional para debater economia e integração regional.
(Imagem: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta quarta-feira (28) da abertura do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, na Cidade do Panamá. Como convidado de honra, ele foi o segundo a discursar, logo após o presidente anfitrião José Raúl Mulino.
O evento, organizado pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) em parceria com o governo panamenho, reúne mais de 2,5 mil líderes políticos, empresários e acadêmicos até quinta-feira (29). Considerado o "Davos latino-americano", o Fórum Econômico da América Latina e Caribe debate temas urgentes como crescimento econômico e inclusão social.
Discurso de Lula enfatiza união regional
No pronunciamento, Lula criticou a desunião e a inércia na América Latina, afirmando que a falta de integração torna os países mais frágeis. Ele defendeu a substituição da "intervenção militar" pela diplomacia e destacou que o "uso da força" não resolve as mazelas regionais.
O presidente brasileiro reforçou a defesa da neutralidade do Canal do Panamá, administrado de forma eficiente e sem discriminação. "A integração em infraestrutura não tem ideologia. Por isso o Brasil defende a neutralidade do Canal do Panamá", declarou, em alusão indireta a pressões externas.
Lula também cobrou coragem para parcerias que beneficiem a região, como no uso de terras raras, e defendeu o multilateralismo em um mundo turbulento. Ele elogiou a estabilidade do Brasil e a importância da pluralidade de opções na região.
Temas centrais do fórum econômico
A programação do Fórum Econômico da América Latina e Caribe aborda infraestrutura, inteligência artificial, comércio, energia, mineração e segurança alimentar. Líderes discutem o papel da região no cenário global instável, com foco em competitividade e integração.
- Infraestrutura para desenvolvimento sustentável.
- Inteligência artificial e inovação tecnológica.
- Comércio e regras para expansão econômica.
- Energia renovável e mineração responsável.
- Segurança alimentar em tempos de crise.
Participam presidentes de Equador, Guatemala, Bolívia, Chile e Jamaica, além de Nobel de Economia como James Robinson e Philippe Aghion. A agenda inclui plenárias, sessões simultâneas e lançamentos de iniciativas.
Acordo bilateral impulsiona relações
Durante a visita, Lula e Mulino assinam acordo de cooperação em investimentos, expansão comercial e logística. O Brasil é o 15º maior usuário do Canal do Panamá, com 7 milhões de toneladas de exportações anuais passando por lá.
O intercâmbio comercial cresceu 78% no último ano, atingindo US$ 1,6 bilhão, impulsionado por petróleo e derivados brasileiros. O Panamá, primeiro país centro-americano associado ao Mercosul, reforça laços com o bloco sul-americano.
O ministro Mauro Vieira assina o Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos, protegendo capitais bilaterais e facilitando fluxos produtivos. Panamá detém US$ 9,5 bilhões em investimentos brasileiros, o sétimo maior destino.
Visita simbólica ao Canal do Panamá
Os chefes de Estado visitam uma eclusa do Canal para foto oficial, simbolizando união entre Atlântico e Pacífico. Lula destacou o simbolismo da escolha do Panamá para o evento.
O Brasil aderiu ao Protocolo de Neutralidade do Canal, encaminhado ao Congresso. Relações avançam com compras panamenhas de aeronaves Embraer e equilíbrio na balança comercial.
Lula retorna ao Brasil ainda hoje, após reuniões bilaterais. O Fórum Econômico da América Latina e Caribe continua com debates para soluções regionais conjuntas.
O evento reforça a liderança brasileira na integração latino-americana, promovendo paz, democracia e desenvolvimento compartilhado em meio a desafios globais. A participação de Lula sinaliza o compromisso do Brasil com parcerias estratégicas na região, especialmente em logística e comércio. O fórum também abre portas para novas negociações multilaterais, fortalecendo a voz da América Latina no cenário internacional. Com mais de 2,5 mil participantes, o encontro consolida o Panamá como hub de discussões econômicas relevantes.