Os blocos da Liga Sebastiana desfilam no Rio de Janeiro a partir desta sexta-feira, com críticas sociais, homenagens indígenas e sátiras políticas.
(Imagem: Jose Luiz P.Neves/Divulgação)
Os blocos da Liga Sebastiana iniciam nesta sexta-feira (13) uma série de desfiles que prometem reacender a tradição do carnaval de rua no Rio de Janeiro. A associação, pioneira na organização dessas agremiações, reúne cerca de 20 blocos espalhados por bairros icônicos, com expectativa de atrair milhões de foliões até o fim do mês.
A Liga Sebastiana, fundada em 2000, surgiu da necessidade de unir forças para lidar com o crescimento dos cortejos e a falta de apoio público na época. Blocos como Carmelitas e Simpatia é Quase Amor, filiados à liga, transformam as ruas em palcos de crítica social e celebração cultural, mantendo viva a essência do carnaval carioca.
Origem e importância da liga
A Liga Sebastiana nasceu no contexto da redemocratização brasileira, nos anos 1980 e 1990, quando blocos ressurgiram como forma de expressão popular. Criada por representantes de agremiações da Zona Sul, Santa Teresa e Centro, a associação luta pela infraestrutura, segurança e valorização da cultura de rua, evitando a comercialização excessiva da folia.
Hoje, ela representa a resistência à padronização, priorizando marchinhas, samba e fantasias criativas. Sua ação influenciou políticas públicas, como a normatização de desfiles pela Riotur, que autorizou 462 blocos para 2026, estimando 6,8 milhões de participantes só nas ruas.
- A liga defende liberdade de expressão e ocupação descentralizada dos espaços públicos.
- Promove diversidade de linguagens, do samba à brass band, unindo gerações.
- Atua como porta-voz para negociações com a prefeitura em trânsito e segurança.
Desfiles desta sexta e sábado
O bloco Carmelitas abre os trabalhos nesta sexta-feira (13), às 13h, em frente ao Bar do Serginho, em Santa Teresa. Símbolo do bairro boêmio, ele critica com humor a precariedade local, como o bonde mais voltado ao turismo, e manda mensagens de paz para conflitos globais, incluindo a guerra na Ucrânia e referências ao presidente Donald Trump.
A camiseta deste ano, ilustrada por Claudius Ceccon, mostra uma freirinha pulando o muro do convento, ao som do samba-enredo "Entre a gente é secreto, minha freira". Na terça-feira gorda (17), o grupo volta ao Largo do Curvelo às 8h, reforçando temas políticos e belezas do bairro.
No sábado (14), o Barbas comemora 40 anos em Botafogo, saindo às 12h com o tema "Nem Laranjão, nem Bananinha: o Barbas saúda a Unidos da Papuda!". Com sátira política afiada, dois sambas vencedores e a bateria de Mestre Felipão, o desfile termina em baile na Rua General Gois Monteiro, misturando veteranos e jovens.
Domingo agitado em Ipanema e Saúde
O Simpatia é Quase Amor, um dos mais tradicionais, faz seu segundo desfile no domingo (15), às 15h, partindo da Praça General Osório, em Ipanema. No 42º carnaval, homenageia povos indígenas com o tema "Brasil, terra indígena", camiseta em língua Baikiri assinada por Milton Cunha e painéis de LED contra o Marco Temporal.
No mesmo dia, o Que Merda é Essa? concentra às 11h na Rua Garcia D’Ávila, esquina com Nascimento Silva, saindo às 12h. Irreverente há 29 anos, satiriza Trump em ilustração de Alecrim, com bailinho infantil pela manhã. Já o Bloco 442, na Saúde, mistura pop internacional como "Bad Romance" com ritmos brasileiros, às 14h, no Largo São Francisco da Prainha.
- Simpatia reforça caráter político com cocares na bateria e samba "Aldeia Simpatia".
- Que Merda é Essa? leva alegria crítica ao Leblon e Ipanema.
- Bloco 442 destaca brass bands criadas em 2018 por músicos locais.
Segunda e desfiles das campeãs
Na segunda-feira (16), o Virtual sai às 8h da Rua Anchieta, no Leme, com "América Invertida", inspirado em Joaquin Torres Garcia. A camiseta de Bela Cotrim critica invasões e tarifas, ecoando Milton Nascimento: "Eu sou da América do Sul".
O Superbacana, da Tropicália, homenageia Gilberto Gil no sábado das campeãs (21), às 14h, na Praça Luiz de Camões, Glória, com "Realeza Gil" e lançamento de música autoral com Roni Valk. Encerrando, o Monobloco sobe o Circuito Preta Gil no domingo (22), às 7h, na Rua Primeiro de Março, com "Pode entrar que a casa é sua", homenageando Arlindo Cruz e Preta Gil.
Esses blocos da Liga Sebastiana impactam a economia local, fomentam turismo e reforçam o Rio como capital da folia. Com crescimento desde os anos 2000, eles ocupam ruas por meses, gerando empregos e resgatando a crônica social através de sátira e arte.
O que importa vai além da diversão: esses cortejos promovem inclusão, debatem direitos indígenas e globais, e pressionam por melhorias urbanas. Para o futuro, a liga planeja expandir apoio, mantendo a essência democrática, enquanto a Riotur monitora para evitar superlotação.
Foliões devem checar o app Blocos de Rua para atualizações, usar fantasias leves e hidratar-se, garantindo uma festa segura e memorável.