Primeiro dia do carnaval de São Paulo 2026 no Sambódromo do Anhembi teve desfiles de sete escolas.
(Imagem: Paulo Pinto/Agência Brasil)
O carnaval de São Paulo começou com emoção na noite desta sexta-feira (13), marcando o primeiro dia de desfiles do Grupo Especial no Sambódromo do Anhembi. Sete agremiações cruzaram a avenida a partir das 23h, trazendo enredos ricos em história, cultura e resistência social.
A estreia da Mocidade Unida da Mooca abriu a noite, seguida por nomes tradicionais como Rosas de Ouro, campeã de 2025, e Acadêmicos do Tatuapé, vice-campeã do ano passado. Os desfiles seguem até as 5h30 de sábado, com apuração prevista para terça-feira (17).
Essa programação reflete a vitalidade do carnaval de São Paulo, que atrai milhares de espectadores e reforça a importância cultural das escolas de samba na capital paulista.
Ordem e horários dos desfiles
A Mocidade Unida da Mooca deu o pontapé inicial às 23h, apresentando um enredo inédito no Grupo Especial. A sequência incluiu Colorado do Brás às 0h05, Dragões da Real às 1h10, Acadêmicos do Tatuapé às 2h15, Rosas de Ouro às 3h20, Vai-Vai às 4h35 e Barroca Zona Sul às 5h30.
Essa ordem foi definida com base na classificação do carnaval de 2025, garantindo equilíbrio na disputa. Duas escolas serão rebaixadas após a soma das notas em 14 quesitos, como samba-enredo, bateria e alegorias.
- Mocidade Unida da Mooca (23h): Estreante no grupo.
- Colorado do Brás (0h05): Décima em 2025.
- Dragões da Real (1h10): Sexta colocada no ano passado.
- Acadêmicos do Tatuapé (2h15): Vice-campeã de 2025.
- Rosas de Ouro (3h20): Campeã de 2025, com meia penalidade.
- Vai-Vai (4h35): 15 títulos na história.
- Barroca Zona Sul (5h30): Fecha a noite.
Enredos que marcam a noite
Cada escola trouxe temas profundos e conectados à realidade brasileira. A Mocidade Unida da Mooca homenageou o Instituto Gèlèdés com “Gèlèdés – Agbara Obinrin”, celebrando a força das mulheres negras na luta por igualdade racial e social.
A Colorado do Brás explorou “A Bruxa está solta – Senhoras do Saber Renascem na Colorado”, destacando solidariedade e rebeldia feminina por meio da figura das bruxas. Já a Dragões da Real reviveu as Guerreiras Icamiabas em “Guerreiras Icamiabas – Uma Lendária História de Força e Resistência”, abordando a resistência indígena.
O carnaval de São Paulo usa esses enredos para discutir questões contemporâneas, como reforma agrária no desfile dos Acadêmicos do Tatuapé com “Plantar para Colher e Alimentar”, e o universo cósmico nas Rosas de Ouro com “Escrito nas Estrelas”.
Contexto das principais agremiações
As Rosas de Ouro, da Brasilândia, chegam como favoritas apesar de uma penalidade de meio ponto por documentação. Campeãs em 2025 após 15 anos de jejum, elas apostam em um desfile equilibrado para buscar o bicampeonato consecutivo.
Os Acadêmicos do Tatuapé, fundados em 1952, empataram em pontos com as Rosas no ano passado e prometem brilhar com críticas sociais à concentração de terras. A Vai-Vai, do Bixiga, resgata a memória operária e o cinema paulista em “A Saga Vencedora de um Povo Heroico no Apogeu da Vedete da Pauliceia”.
A Barroca Zona Sul encerra com “Oro Mi Maió OXUM”, orixá das águas doces, representando comunidades como Jabaquara e Saúde. Esses enredos mostram a diversidade temática do carnaval de São Paulo.
Como acompanhar os desfiles
O público pode acessar o Anhembi via Metrô (estações Portuguesa-Tietê e Palmeiras-Barra Funda) ou ônibus especiais. Bolsões de estacionamento e pontos para táxi facilitam a locomoção, com desembarque preferencial na Ponte da Casa Verde.
Regras de entrada incluem mochilas, capas de chuva e alimentos não perecíveis em sacolas flexíveis, limitados a três itens. Proibidos: garrafas rígidas, guarda-chuvas, armas e sprays.
- Ônibus especiais do Metrô para o sambódromo.
- Cinco bolsões de estacionamento para carros e motos.
- Quatro pontos de embarque de táxi na saída.
- Restrições a ambulantes e objetos perigosos.
Impacto e o que esperar
O carnaval de São Paulo movimenta a economia local com empregos em barracões, fantasias e logística, além de promover inclusão social por meio das comunidades sambistas. Os desfiles de sábado (14) seguem com Império da Casa Verde, Águia de Ouro e outras sete escolas.
A apuração na terça-feira definirá campeãs e rebaixadas, influenciando o calendário de 2027. Essa edição reforça o papel do carnaval como espaço de resistência cultural e celebração coletiva, atraindo olhares nacionais.
Com enredos que vão do empoderamento negro à astronomia, o primeiro dia estabelece o tom para uma folia memorável, destacando a criatividade das escolas paulistas.