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Bioeconomia

Plano Nacional de Bioeconomia é lançado para alavancar economia verde com foco em biodiversidade até 2035

02 abr 2026 - 09h44 Joice Gomes
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Plano Nacional de Bioeconomia é lançado para alavancar economia verde com foco em biodiversidade até 2035 O PNDBio, apresentado em 1º de abril de 2026, transforma a rica biodiversidade brasileira em oportunidades econômicas, com R$ 350 milhões iniciais do Fundo Amazônia e metas ousadas para extrativistas e setor farmacêutico. (Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Em um marco para o desenvolvimento sustentável, o governo brasileiro lançou na quarta-feira (1º de abril de 2026), na capital federal, o Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio). A iniciativa, liderada pelos ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), propõe converter a extraordinária biodiversidade nacional em vetor de prosperidade econômica, preservando ecossistemas e promovendo equidade social até 2035.

Coordenado pela ministra Marina Silva e apresentado ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin, o plano responde ao chamado por um paradigma econômico que harmonize floresta em pé, tecnologia avançada e participação comunitária. Com investimento inicial de R$ 350 milhões oriundos do Fundo Amazônia, o PNDBio estrutura-se em três pilares fundamentais: sociobioeconomia com ativos ambientais, bioindustrialização competitiva e produção sustentável de biomassa, abrangendo 21 metas e 185 ações concretas.

Pilares estratégicos e compromissos quantificáveis

O eixo de sociobioeconomia prioriza empreendimentos liderados por indígenas, quilombolas, ribeirinhos e agricultores familiares, com o objetivo de amparar 6 mil iniciativas comunitárias. Pretende-se dobrar o valor bruto da produção oriunda da sociobiodiversidade e expandir em 20% os contratos do Pronaf destinados a produtores de baixa renda. Uma das bandeiras é atingir 300 mil pessoas com pagamentos por serviços ecossistêmicos, remunerando a conservação de matas ciliares, nascentes e áreas de recarga aquífera.

Na bioindustrialização, o foco recai sobre saúde, cosméticos e biotecnologia, utilizando o vasto patrimônio genético brasileiro de forma ética e regulada. O plano almeja inserir novos fitoterápicos no SUS, elevando em 5% sua representatividade no faturamento farmacêutico nacional. No âmbito dos serviços ambientais, busca-se incrementar em 50% o número de organizações que recebem repartição de benefícios oriundos do acesso ao material genético até o horizonte de 2035.

O terceiro pilar, produção sustentável de biomassa, estabelece a restauração de 2,3 milhões de hectares de vegetação nativa associados a cadeias agroindustriais. Inclui a outorga de 60 concessões em Unidades de Conservação para ecoturismo e o incremento de 5,28 milhões de hectares para manejo florestal comunitário, fomentando biocombustíveis de segunda geração, bioquímicos e materiais biodegradáveis em uma economia verdadeiramente circular.

Raízes históricas e evolução conceitual

O Brasil pavimentou seu caminho na bioeconomia há cinco décadas, com o lançamento do Programa Nacional do Álcool (Proálcool) em 1975, amid da crise petrolífera global. Essa política visionária evitou importações equivalentes a 2,5 bilhões de barris de petróleo – algo em torno de US$ 205 bilhões em valores atuais – e consagrou o país como referência em biocombustíveis renováveis. O sucesso do etanol de cana inspirou iniciativas subsequentes, como o Programa Nacional de Sociobiodiversidade, instituído em 2019.

Em 2024, o Decreto nº 12.044 formalizou a Estratégia Nacional de Bioeconomia, que após ampla articulação interministerial resultou no PNDBio. A Comissão Nacional de Bioeconomia (CNBio), integrada por 16 pastas, Embrapa, cientistas, ONGs e empresários, processou mais de 900 sugestões em consulta pública encerrada em março deste ano. Esse processo colaborativo forjou um roteiro robusto para a inserção competitiva do Brasil no mercado global de bioeconomia.

Projeções econômicas e benefícios sociais

Projeções do setor apontam que a bioeconomia do conhecimento pode injetar de US$ 100 bilhões a US$ 140 bilhões anuais na economia brasileira até 2032, abrangendo alimentos funcionais, fármacos naturais, cosméticos botânicos e bioinsumos agrícolas. O PNDBio potencializa essa perspectiva ao fundir sabedoria ancestral com biotecnologia de ponta, criando empregos verdes especialmente na região amazônica e mitigando disparidades regionais.

Carina Pimenta, secretária nacional de Bioeconomia e Inovação do MMA, sublinha que o plano transcende a mera preservação, convertendo ativos naturais em riqueza compartilhada via parcerias público-privadas. O vice-presidente Alckmin visionou uma indústria "verde, exportadora e inovadora", ancorada em biomassa agrícola e florestal para gerar etanol avançado, bioplásticos e biofertilizantes. Marina Silva reforçou a inclusão universal: "Do extrativista ao laboratório farmacêutico, todos cabem nesse novo ciclo virtuoso".

  • Apoio a 6 mil negócios de base comunitária com duplicação do valor da sociobiodiversidade.
  • Benefício ambiental para 300 mil famílias até 2035.
  • Restauração produtiva de 2,3 milhões de hectares e 60 concessões ecoturísticas.
  • Novos fitoterápicos no SUS e 50% mais repartição de benefícios genéticos.
  • Manejo sustentável em 5,28 milhões de hectares adicionais.

Obstáculos a superar e horizonte promissor

Não faltam retos a vencer, a exemplo de gargalos no acesso a crédito rural por povos tradicionais e investimentos em P&D biotecnológico. O PNDBio contraria esses entraves com a delimitação de 30 territórios prioritários para restauração e sinergia com eventos globais como a COP30, sediada em Belém no final de 2026. Assim, o Brasil se projeta como protagonista em economias regenerativas, alinhando PIB verde à agenda climática planetária.

O esquema de monitoramento anual, lastreado em indicadores precisos, permitirá ajustes dinâmicos para eficácia máxima. Financiado inicialmente pelo Fundo Amazônia e com captação de recursos privados, o plano pavimenta um futuro onde bioeconomia signifique não só crescimento, mas justiça ambiental e social para as próximas gerações. Uma aposta ousada na capacidade do Brasil de liderar a transição para um planeta mais equilibrado.

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