O Brasil registrou em fevereiro de 2026 o maior volume diário de produção de petróleo e gás da história, com 5,304 milhões de barris de óleo equivalente por dia, puxado pelo pré‑sal e pela expansão da frota offshore.
(Imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Em fevereiro de 2026, o Brasil alcançou o maior nível diário de produção de petróleo e gás natural de toda a sua série histórica. A média ficou em 5,304 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d), superando o recorde anterior, de 5,255 milhões de boe/d, registrado em outubro de 2025. O dado é divulgado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e reforça a posição do país como produtor de grande porte no cenário global.
A produção cresceu mesmo em um mês mais curto, com menor número de dias, o que indica maior eficiência das operações offshore e maior aproveitamento das plataformas já instaladas. A expansão do setor reforça o papel do óleo e gás como base de receita fiscal, emprego e investimento privado, além de sustentar o superávit comercial brasileiro.
Petróleo e gás registram avanço em ritmo acelerado
Ao separar as duas cadeias, a produção de petróleo atingiu 4,061 milhões de barris por dia, alta de 2,7% ante janeiro de 2026 e de 16,4% na comparação com o mesmo mês de 2025. No gás natural, foram 197,63 milhões de metros cúbicos diários, aumento de 2,3% sobre janeiro e de 24,5% sobre fevereiro do ano anterior.
Os dois indicadores estabelecem novo marco para o setor, com volumes que ultrapassam significativamente os patamares médios registrados nos anos recentes. O desempenho é ainda mais expressivo porque acontece em um quadrimestre em que grandes campos offshore já estão em fase tardia de desenvolvimento, o que naturalmente tende a reduzir o ritmo de crescimento.
Pré‑sal passa de 80% da produção total
O pré‑sal se consolidou como o principal motor da expansão, respondendo por 80,2% de todo o petróleo e gás extraídos no país em fevereiro. Foram 4,243 milhões de boe/d provenientes da província, com aumento de 2,3% frente a janeiro e de 20,1% ante fevereiro do ano passado.
Grandes campos da Bacia de Santos, como Búzios, Tupi e Mero, continuam representando a maior parte desse volume, com alta produtividade por poço e fluxo contínuo de novas unidades de produção. A Bacia de Campos, por sua vez, segue contribuindo de forma relevante, embora sua participação relativa no conjunto tenha se reduzido com o amadurecimento do pré‑sal.
Petrobras concentra a maior parcela do volume
Campos sob operação exclusiva ou compartilhada pela Petrobras concentraram 89,46% de toda a produção de petróleo e gás brasileira em fevereiro. A participação da estatal permanece elevada, apesar da crescente entrada de empresas privadas, parcerias com investidores internacionais e novas áreas licitadas em rodadas administradas pela ANP.
A produção foi obtida a partir de 6.079 poços ativos, sendo 582 localizados em águas marinhas e 5.497 em terra. A maior parte do petróleo (98%) e uma fatia relevante do gás (87,8%) foi extraída de poços offshore, sublinha a transição do Brasil para uma matriz de produção dominada por águas profundas e ultra‑profundas.
Efeitos econômicos e desafios ambientais
O novo recorde indica que 2026 deve fechar com média de produção superior à de 2025, quando o país já havia se estabelecido em patamar histórico, acima de 4,8 milhões de boe/d. O incremento de volume tende a aumentar tanto a arrecadação de royalties e tributos quanto a velocidade de exportação de petróleo, fortalecendo o saldo comercial brasileiro.
Paralelamente, o crescimento na produção é acompanhado por maior queima de gás em algumas áreas, o que pressiona o tema ambiental e de descarbonização. Ao mesmo tempo, o aumento de oferta abre espaço para ampliar a infraestrutura de gasodutos, oleodutos e regasificadoras, o que pode reduzir desperdícios e ampliar o uso de gás doméstico para indústria, geração de energia e, no médio prazo, para produção de hidrogênio verde.
Principais campos e plataformas em destaque
Entre as unidades de produção, o FPSO Almirante Tamandaré, ligado ao campo de Búzios, registrou o maior volume diário de petróleo, com cerca de 197 mil barris por dia. Já o FPSO Marechal Duque de Caxias, atrelado ao campo de Mero, concentrou a maior extração de gás, com cerca de 12,37 milhões de metros cúbicos diários.