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Preços

Cesta de produtos da Páscoa fica 5,73% mais barata em 2026, aponta FGV

01 abr 2026 - 21h17 Alexsander Arcelino
Peixes expostos em mercado tradicional para venda durante período da Páscoa Bacalhau e chocolates estão entre os produtos mais tradicionais da Páscoa. (Imagem: Canva)

A cesta de alimentos tradicionalmente consumidos na Páscoa ficou 5,73% mais barata em 2026 na comparação com o mesmo período do ano passado.

O levantamento foi realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas e divulgado às vésperas do feriado.

Entre os produtos analisados estão itens comuns nas celebrações, como chocolates, bacalhau, arroz, azeite e pescados.

Segundo o estudo, esta é a segunda queda consecutiva nos preços da cesta de Páscoa. Em 2025, a redução havia sido de 6,77%.

Inflação da cesta ficou abaixo da inflação geral

Para efeito de comparação, a inflação geral do consumidor, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor – IPC-10, registrou alta de 3,18% entre abril de 2025 e março de 2026.

Mesmo com a queda no preço médio da cesta, alguns produtos tiveram aumento superior à inflação no período.

Entre eles estão:

  • Bombons e chocolates: 16,71%
  • Bacalhau: 9,9%
  • Sardinha em conserva: 8,84%
  • Atum: 6,41%

Queda de alguns alimentos ajudou a reduzir custo da cesta

Outros itens apresentaram forte queda de preços, o que contribuiu para reduzir o custo médio da cesta de Páscoa.

Entre os produtos que ficaram mais baratos estão:

  • Arroz: -26,11%
  • Ovos de galinha: -14,56%
  • Azeite: -23,20%

Já os pescados frescos registraram aumento de 1,74%, enquanto os vinhos tiveram alta de 0,73%.

Preços da Páscoa alternam entre alta e queda nos últimos anos

Nos últimos quatro anos, o levantamento mostra um cenário alternado entre inflação e deflação nos produtos típicos da Páscoa.

A variação anual foi a seguinte:

  • 2026: -5,73%
  • 2025: -6,77%
  • 2024: 16,73%
  • 2023: 13,16%

Segundo o economista Matheus Dias, do Ibre/FGV, a alta acumulada dos preços da Páscoa nos últimos quatro anos foi de 15,37%, índice inferior à inflação geral do consumidor no período.

Produtos industrializados demoram mais para reduzir preços

O economista explica que a redução no preço das matérias-primas nem sempre chega rapidamente ao consumidor final, especialmente em produtos industrializados.

Esse fenômeno pode ser observado no caso dos chocolates. Mesmo com o preço do cacau em queda no mercado internacional desde outubro de 2025, os chocolates vendidos ao consumidor continuam registrando alta.

Segundo especialistas, isso ocorre porque a cadeia de produção inclui diversos custos adicionais, como transporte, armazenamento e processamento.

Concentração de mercado também influencia preços

Outro fator apontado por especialistas é a concentração de mercado no setor de chocolates.

De acordo com estudo citado no levantamento, cinco marcas pertencentes a três empresas concentram cerca de 83% das vendas de bombons e chocolates no país.

Essa concentração pode reduzir o nível de concorrência e influenciar na formação dos preços.

Indústria destaca outros custos na produção

Procurada para comentar o assunto, a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados afirmou que o preço do chocolate não depende apenas do valor do cacau.

Segundo a entidade, fatores como leite, açúcar, transporte refrigerado e variações cambiais também influenciam o custo final do produto.

Produção de cacau foi afetada por fenômeno climático

A indústria também lembrou que a produção global de cacau foi impactada em 2024 pelo fenômeno climático El Niño.

O evento afetou plantações em países africanos como Gana e Costa do Marfim, responsáveis por cerca de 60% da produção mundial de cacau.

Com a redução da oferta, o preço da tonelada do produto chegou a cerca de US$ 11 mil na Bolsa de Nova York. Atualmente, a cotação gira em torno de US$ 3,3 mil.

Indústria prevê crescimento nas vendas

Mesmo com variações nos preços, o setor de chocolates mantém expectativa positiva para a Páscoa deste ano.

Segundo estimativas da indústria, cerca de 14,6 mil empregos temporários devem ser criados no período, número 50% maior do que em 2025.

Além disso, uma pesquisa do Instituto Locomotiva aponta que 90% dos consumidores pretendem comprar produtos relacionados à Páscoa em 2026.

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