Crianças de 10 a 14 anos devem continuar procurando os postos para receber a vacina Qdenga contra a dengue.
(Imagem: gerado por IA)
A vacinação contra a dengue para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos permanece totalmente inalterada em todo o Brasil. O esclarecimento do Ministério da Saúde surge para tranquilizar pais e responsáveis após a recente suspensão do imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan, uma medida que gerou confusão sobre quais doses ainda estão sendo aplicadas nos postos de saúde.
Na prática, o que as famílias precisam saber é que existem duas vacinas distintas em circulação no país. A Qdenga, fabricada pelo laboratório japonês Takeda, é a que compõe o calendário nacional para o público infantil e não sofreu qualquer tipo de restrição. Com cerca de 8 milhões de doses já administradas desde 2024, ela continua sendo a principal ferramenta de proteção para os mais jovens.
O diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, reforçou que a estratégia de vacinação infantil segue o cronograma planejado. Mas o impacto da desinformação pode ser um obstáculo, e é aqui que está o ponto central: a vacina do Butantan, que teve a aplicação suspensa, era destinada a um grupo completamente diferente e ainda estava em fase inicial de implementação.
O que muda na prática para as famílias
Para quem tem filhos na faixa etária de 10 a 14 anos, nada muda. O imunizante disponível nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) continua sendo a Qdenga. A suspensão anunciada pelo Governo Federal refere-se exclusivamente à vacina brasileira do Butantan, que havia sido incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) apenas em janeiro deste ano.
Diferente da vacina japonesa, a versão do Butantan era indicada para pessoas acima de 15 anos. Além disso, sua distribuição não era universal: ela estava concentrada em profissionais de saúde da Atenção Primária e em moradores de cidades específicas, como Botucatu (SP), Maranguape (CE), Nova Lima (MG) e a região de Araguaína (TO).
Por que isso importa agora
Manter o ritmo da vacinação é crucial para sustentar os números positivos que o Brasil vem colhendo. De acordo com os dados mais recentes do Ministério da Saúde, o país registrou uma queda drástica de 97% nas mortes por dengue entre janeiro e maio de 2025, em comparação ao mesmo período do ano anterior. O número de casos confirmados também recuou 94%.
Essa redução acentuada mostra que, embora a suspensão de um imunizante cause impacto nas manchetes, as ferramentas que já estão consolidadas no SUS estão surtindo efeito real. A Qdenga, disponível há mais tempo na rede pública, é parte fundamental dessa engrenagem de controle epidemiológico.
O que pode acontecer a partir disso
A suspensão da vacina do Butantan é um procedimento de cautela técnica que não invalida o esforço de imunização nacional. A expectativa é que o Ministério da Saúde forneça novos detalhes sobre a retomada ou ajustes no uso do imunizante brasileiro em breve. Enquanto isso, o foco das autoridades permanece na proteção das crianças e adolescentes, o grupo considerado mais vulnerável às complicações da doença.
O cenário atual exige atenção redobrada à caderneta de vacinação. Com a queda nos indicadores de mortalidade, a continuidade da vacinação infantil com a Qdenga torna-se ainda mais estratégica para evitar novos surtos e garantir que a dengue deixe de ser uma ameaça crítica à saúde pública brasileira nos próximos anos.