O cientista Stefano Mancuso durante conferência sobre a crise climática e a revolução das plantas no Rio de Janeiro.
(Imagem: gerado por IA)
A humanidade enfrenta agora o maior risco de sua existência, um desafio que ultrapassa qualquer guerra ou crise econômica anterior. Stefano Mancuso, um dos neurobiólogos mais influentes do mundo, alerta que não estamos lidando com um ciclo passageiro, mas com uma ameaça direta à sobrevivência da espécie.
Durante a inauguração do Centro de Ciências e Culturas Sesc RJ, no Rio de Janeiro, o cientista italiano foi categórico ao afirmar que a incapacidade humana de enxergar sua dependência do reino vegetal está nos conduzindo a um colapso inevitável.
Segundo Mancuso, vivemos sob uma lógica de monocultura humana perigosa, ignorando que o planeta é, em sua essência, um organismo verde que sustenta toda a vida complexa. Mas o impacto dessa miopia vai muito além da teoria.
O que muda na prática para salvar as cidades
Para o pesquisador, a solução para o aquecimento global não é abstrata, mas passa por uma reforma física e urgente das metrópoles. Ele defende a remoção de pelo menos 20% do asfalto das ruas para dar espaço a uma arborização massiva e à renaturalização urbana.
Na prática, isso significa transformar centros impermeáveis em espaços que respirem. Mancuso adverte que gestores que ignorarem essa necessidade agora pagarão um preço muito mais alto em apenas uma década, tanto em recursos financeiros quanto em vidas que poderiam ser poupadas.
Essa transição exige coragem política imediata. As administrações que agirem primeiro evitarão catástrofes humanitárias, enquanto as outras serão obrigadas a fazê-lo sob regime de emergência, arcando com gastos colossais e crises de saúde pública sem precedentes.
O que está por trás da inteligência vegetal
Um dos pontos centrais da crítica de Mancuso é a desvalorização do conhecimento acadêmico. Ele reforça que a ciência trabalha com fatos e evidências consolidadas, e tratá-la como mera opinião é uma estupidez que custa o futuro das próximas gerações.
O neurobiólogo aponta para as antigas civilizações amazônicas como prova de que o desenvolvimento e a preservação podem coexistir. Diferente da arquitetura moderna, que aniquila a biodiversidade para existir, esses povos projetavam suas cidades dentro da floresta, em uma simbiose produtiva.
Além da mudança estrutural, o caminho para a sobrevivência também passa pelos tribunais. Mancuso acredita que a via jurídica é um dos instrumentos mais eficientes hoje para forçar governos omissos e corporações poluidoras a cumprirem metas climáticas reais.
A inteligência das plantas, que operam de forma descentralizada e cooperativa por meio de suas raízes, serve como a lição final de organização que as sociedades humanas precisam adotar. Se não aprendermos a cooperar como a base verde do planeta, a história humana pode estar próxima de seu capítulo final.