Lotes do imunizante nacional passarão por auditoria detalhada por comitê de especialistas em farmacovigilância
(Imagem: Instituto Butantan / Divulgação)
O governo federal determinou a paralisação imediata do uso do imunizante nacional contra a dengue em todo o território brasileiro. A medida de precaução foi motivada pela identificação de pouco mais de quarenta notificações de reações físicas severas em pessoas que receberam as doses nas últimas semanas. Entre os registros sob análise das autoridades sanitárias, três pacientes necessitaram de suporte em ambiente hospitalar e dois evoluíram para óbito.
O comando da pasta da saúde ponderou que ainda não existe um laudo definitivo vinculando as mortes diretamente à composição da substância biológica. A interrupção dos trabalhos funciona como um protocolo padrão de segurança para permitir que cientistas cruzem dados clínicos e avaliem o histórico de saúde dos pacientes afetados. A decisão não afeta a distribuição das doses importadas produzidas pelo laboratório japonês Takeda, que seguem disponíveis na rede pública.
Os municípios piloto e os desdobramentos da estratégia de vacinação
Até o momento do bloqueio preventivo, a rede pública havia distribuído e aplicado cerca de meio milhão de ampolas desde a incorporação do produto ao catálogo oficial do SUS. A estratégia de vacinação utilizava um desenho de testes práticos em localidades específicas localizadas nos Estados de São Paulo, Ceará, Minas Gerais e Tocantins. O foco inicial das equipes de imunização estava concentrado no grupo de adolescentes e adultos jovens na faixa dos quinze aos cinquenta e nove anos.
A maior parte dos efeitos colaterais inesperados manifestou se em um lote específico direcionado para a proteção de trabalhadores das unidades básicas de atendimento médico. Os técnicos de monitoramento relataram que uma parcela mínima dos vacinados apresentou sinais clínicos semelhantes aos da própria doença. Em casos isolados e muito raros, os pacientes desenvolveram quadros de choque circulatório e complicações neurológicas graves que demandaram internação em tratamento intensivo.
A coordenação do Programa Nacional de Imunizações reforçou que o bloqueio temporário não retira o selo de eficácia global da fórmula desenvolvida pelo centro de pesquisa paulista. Os cidadãos imunizados no último mês receberão um acompanhamento médico especializado por parte das equipes de monitoramento local. A orientação oficial para qualquer pessoa que sinta dores abdominais agudas, vômitos constantes ou sangramentos é buscar socorro médico imediato na unidade de saúde mais próxima.