Ministro da Saúde destacou que a interrupção é uma medida de cautela do sistema de vigilância sanitária
(Imagem: Ministério da Saúde / Youtube / Divulgação)
O Ministério da Saúde oficializou a interrupção temporária e preventiva da aplicação da vacina Butantan DV, o imunizante nacional de dose única contra a dengue. A medida de segurança foi adotada para que comitês de especialistas investiguem quarenta e dois relatos de reações adversas severas e dois óbitos suspeitos. As autoridades federais reforçam que ainda não há confirmação de vínculo causal entre as complicações médicas e os componentes da vacina.
A suspensão acendeu um alerta na população, mas a análise técnica dos dados aponta que os problemas não atingiram todos os públicos vacinados de forma igualitária. Desde o início da campanha em janeiro, cerca de quinhentas mil pessoas receberam o imunizante do SUS. No entanto, os registros de sintomas de alarme como dores abdominais intensas, vômitos persistentes e choques circulatórios ficaram concentrados exclusivamente em um grupo prioritário específico.
O público alvo atingido e os rumos da atual estratégia de vacinação
O plano de imunização do governo federal dividiu se em duas etapas distintas de atendimento. Na primeira, o imunizante foi aplicado na população geral de quinze a cinquenta e nove anos em três municípios piloto do país. O monitoramento de farmacovigilância nessas cidades indicou que o comportamento das doses foi totalmente positivo e seguro, sem nenhuma notificação de reações graves entre os moradores locais atendidos.
A situação mudou quando o governo expandiu o público alvo, direcionando os lotes para os profissionais de saúde que atuam na linha de frente da Atenção Primária à Saúde em território nacional. Foi justamente nessa parcela de trabalhadores que os quarenta e dois casos graves e as duas mortes em investigação se manifestaram. Diante desse cenário localizado, o comitê interinstitucional achou prudente paralisar a atual estratégia de vacinação para estudar o histórico clínico desses pacientes.
O Instituto Butantan declarou que colabora integralmente com a Anvisa para mapear possíveis fatores de risco individuais ou desvios em lotes específicos. A fundação relembrou que a vacina possui eficácia comprovada de quase oitenta por cento em publicações científicas e que a pausa serve para dar segurança jurídica e médica aos usuários. A campanha nacional com a vacina importada Qdenga continua ocorrendo normalmente sem nenhuma alteração no calendário.