Vice-presidente Geraldo Alckmin comentou possibilidade de candidatura nas próximas eleições.
(Imagem: Cadu Gomes / VPR)
O governo brasileiro iniciou uma articulação de emergência nos bastidores diplomáticos para tentar reverter as recentes barreiras alfandegárias que ameaçam o escoamento da produção agropecuária. Durante a abertura de um grande evento tecnológico voltado ao campo na Região Nordeste, a administração federal assegurou que usará o peso político para proteger as cooperativas locais. O plano visa reabrir canais de diálogo com os mercados de Washington e Bruxelas.
A principal fonte de preocupação dos exportadores nacionais decorre de uma sanção publicada pela comissão reguladora do bloco europeu no final da semana passada. A deliberação internacional removeu as empresas brasileiras do catálogo de fornecedores credenciados a enviar mercadorias de origem animal para o Velho Continente. Caso o Ministério das Relações Exteriores não consiga anular o decreto, o bloqueio logístico passará a vigorar no início de setembro.
Os bastidores em Brasília e as regras para exportar proteínas animais e derivados
As autoridades da Europa justificaram o veto apontando fragilidades na fiscalização brasileira sobre o uso de promotores de crescimento na alimentação dos rebanhos. A legislação daquele continente veta rigidamente o uso de antimicrobianos devido aos temores de desenvolvimento de superbactérias resistentes. Enquanto os concorrentes vizinhos do continente sul americano mantiveram os acessos liberados, o Brasil falhou nos prazos de entrega dos documentos de defesa devido a discussões com a indústria farmacêutica local.
Membros da equipe econômica suspeitam que as exigências técnicas foram endurecidas de forma intencional como uma estratégia de pressão política devido ao andamento dos tratados de livre comércio. Para tentar contornar a crise cambial e manter o fluxo, as pastas da agricultura e das relações exteriores apresentaram uma certificação de auditoria privada. O selo garante o monitoramento estrito de fazendas que desejam exportar proteínas animais e derivados sem o uso de remédios restritos.
Como mecanismo de alívio financeiro para mitigar as perdas imediatas dos produtores, a vice presidência anunciou a criação de pacotes de financiamento bilionários por meio do banco de fomento estatal. Os recursos atuarão como um colchão de segurança contra as novas taxas alfandegárias que os norte americanos planejam aplicar a partir de meados de julho. O governo aproveitou para destacar os avanços do país no mercado asiático, impulsionados pela erradicação da febre aftosa.