O país gerou 255.321 empregos com carteira assinada em fevereiro, segundo Ministério do Trabalho.
(Imagem: Marcello Casal JrAgência Brasil)
O mercado de trabalho formal brasileiro registrou saldo positivo de 255.321 vagas em fevereiro de 2026, resultado de 2.381.767 admissões contra 2.126.446 desligamentos, conforme o Novo Caged divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O número supera as 115 mil vagas de janeiro, mas representa queda de 42% em relação às 440 mil de fevereiro do ano anterior.
Esse desempenho ocorre em contexto de Selic a 15%, que encarece crédito e investimentos empresariais, freando a velocidade de contratações. Ainda assim, 24 estados fecharam o mês com ganhos, elevando o estoque de empregos formais para 48,8 milhões de vínculos ativos.
Serviços e construção puxam recuperação mensal
O setor de serviços foi o grande destaque, com 177.953 postos criados, abrangendo saúde, educação e administração pública. A construção civil surpreendeu com 31.099 vagas, apesar das pressões de custo; a indústria de transformação somou 29.029; agropecuária, 8.123; e comércio, 6.127.
Todos os ramos econômicos avançaram, contrastando com a sazonalidade pós-Natal no varejo. Economistas veem nisso resiliência, mas alertam para moderação no ritmo anual.
Sudeste domina, mas interior ganha força
O Sudeste liderou com 133.052 vagas, impulsionado por São Paulo (95.896), Minas Gerais (22.874) e Rio de Janeiro. O Sul veio em seguida com 67.718 postos, destaque para Rio Grande do Sul (24.392); Centro-Oeste registrou 32.328; Nordeste, 11.629; e Norte, 10.634.
Negativos isolados em Alagoas, Rio Grande do Norte e Paraíba refletem dinâmicas locais, como seca e migração. A dispersão geográfica indica maturidade do ciclo expansivo iniciado em 2023.
Jovens absorvem dois terços das oportunidades
Trabalhadores de até 24 anos capturaram 163.056 vagas, ou 64% do total, sinal de inclusão inicial no formal. Mulheres superaram homens com 155.064 contra 100.257 postos, reduzindo desigualdades de gênero.
O salário médio de admissão ajustado pela inflação caiu 2,3% ante janeiro, para R$ 2.346,97, mas subiu 2,75% ante fevereiro de 2025. Essa oscilação liga-se a perfis de entrada em serviços de baixa remuneração média.
Acumulado anual e série histórica
No primeiro bimestre, o Brasil criou 370.339 empregos formais, 38% menos que os 595 mil de 2025. Nos últimos 12 meses, saldo de 1,05 milhão de vagas, em desaceleração ante 1,27 milhão acumulados até 2025.
Desde 2023, o governo registra mais de 5 milhões de postos líquidos, com taxa de desemprego em mínimas históricas de 5,4% no trimestre até janeiro, per PNAD do IBGE. A massa salarial real atingiu R$ 370 bilhões, recorde impulsionado por 7,3% de alta anual.
- Serviços: 177.953 vagas (maior volume).
- Construção: 31.099 (resistente a juros).
- São Paulo: 95.896 postos (líder nacional).
- Jovens <24 anos: 64% das admissões.
- Estoque formal: 48,8 milhões (pico histórico).
Pressões macro e desemprego em baixa
Juros elevados comprimem margens empresariais, com inadimplência em alta e construção registrando pior janeiro em anos. Ministro Luiz Marinho atribui parte da moderação a choques globais, como guerras, mas elogia a base sólida do emprego.
A PNAD indica desemprego estável em 5,4%, com rendimento médio de R$ 3.652 (alta de 5,4% anual). Informalidade em 38 milhões pressiona, mas formalização avança via Pronatec e políticas ativas.
Projeções para 2026: moderação com otimismo
Banco Central e FGV preveem PIB de 1,5% este ano, com desemprego médio de 6,1% e geração de 1,2 milhão de vagas. Cortes na Selic para 12% no fim do ano podem reacelerar indústria e infraestrutura.
Desafios incluem déficit fiscal e eleições municipais, mas demografia jovem e consumo interno sustentam. Analistas como Bráulio Borges (FGV) destacam "ritmo modesto, mas positivo", essencial para estabilidade social.
O Caged de fevereiro reforça que o Brasil navega turbulências com mercado resiliente. Políticas de qualificação e desoneração setorial serão chave para sustentar inclusão e crescimento sustentável.