Expectativa é leiloar Aeroporto Internacional de Brasília em novembro de 2026, integrando terminais regionais.
(Imagem: Paulo Pinto/Agência Brasil)
O Aeroporto Internacional de Brasília, conhecido como JK, está na mira do governo federal para concessão em novembro de 2026. A previsão foi anunciada pelo ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, em entrevista recente, logo após o leilão do Aeroporto do Galeão, vencido pela espanhola Aena com oferta de R$ 2,9 bilhões.
O terminal da capital registra movimento crescente, com alta superior a 20% nos passageiros no início de 2026. Essa performance reforça a urgência da relicitação, que deve adotar modelo de blocos, unindo Brasília a cerca de dez aeroportos regionais para atrair investimentos massivos em infraestrutura.
Trâmite no TCU define cronograma
O processo avança no Tribunal de Contas da União (TCU), com julgamento previsto para os próximos 15 dias sob relatoria de Antônio Anastasia. A aprovação do edital é etapa decisiva para viabilizar o certame, corrigindo distorções do contrato atual da Inframérica, vigente desde 2012 por 25 anos.
A gestão anterior enfrentou críticas do TCU por receitas abaixo do projetado e investimentos desalinhados à demanda real. O novo modelo busca maior equilíbrio financeiro, com outorgas realistas e flexibilidade para expansão, atendendo ao boom de tráfego aéreo nacional.
Concessões marcam ritmo acelerado
O leilão do Galeão sinaliza otimismo no setor, com ágio acima de três vezes o mínimo estipulado. A Aena, que já controla 18 aeroportos brasileiros como Congonhas e Recife, assumirá o terminal carioca até 2039 em operação 100% privada, sem participação da Infraero.
Em 2025, o Ministério de Portos e Aeroportos bateu recorde com 21 leilões de aeroportos, portos e hidrovias. Para 2026, a agenda prevê 40 certames, incluindo Viracopos, Santos Dumont e o megaterminal Tecon 10 no Porto de Santos, com realização entre outubro e dezembro.
O JK, terceiro maior aeroporto do país, espera quase 1 milhão de passageiros na alta temporada de fim de ano. Sua concessão promete modernizações como ampliação de pistas, terminais ampliados e mais voos internacionais, fortalecendo Brasília como hub do Centro-Oeste.
Infraero redesenha seu papel
Para o Santos Dumont, o ministro defende amplo debate sobre o futuro da Infraero, estatal que administra dezenas de regionais. A sugestão é reposicionar a empresa no foco de aviação interiorana, integrando rotas e promovendo desenvolvimento local.
Desde 2011, a Infraero transferiu 57 aeroportos em sete rodadas de concessões, ajustando-se a um portfólio de terminais menores e rentáveis. Recentemente, assumiu unidades no Rio Grande do Sul após enchentes, demonstrando agilidade em emergências e serviços especializados.
- Alta de 20% no tráfego do JK reforça atratividade para leilão.
- Modelo blocos: Brasília mais 10 regionais garante investimentos bilionários.
- Aena vence Galeão por R$ 2,9 bi, operação plena até 2039.
- 40 leilões em 2026 expandem concessões em aviação e portos.
- Infraero migra para regionais, com 104 contratos de serviços ativos.
Investimentos transformam hubs
A relicitação de Brasília deve captar bilhões para melhorias, a exemplo dos R$ 9,2 bilhões planejados pela Aena em 11 aeroportos, com R$ 5,7 bilhões via BNDES. Congonhas receberá R$ 2,6 bilhões para duplicar sua capacidade de passageiros.
Esses aportes elevarão a oferta acima de 40 milhões de passageiros anuais em polos estratégicos, aliviando gargalos em capitais. No Distrito Federal, o impacto inclui eficiência operacional, conexões ampliadas e geração de empregos qualificados no setor aéreo.
O Tecon 10, no Porto de Santos, surge como o maior leilão portuário histórico, após 12 anos de atrasos. Sua modelagem favorece armadores nacionais, complementando o ciclo de privatizações que atrai fundos soberanos e players globais à infraestrutura brasileira.
O modelo do Galeão comprova eficácia: outorgas elevadas enchem cofres públicos imediatamente, enquanto obrigações de investimento constroem patrimônio duradouro. Com aval do TCU, novembro de 2026 pode inaugurar ciclo virtuoso na aviação, com aeroportos mais competitivos e integrados.
Servidores da Infraero e comunidades regionais ganham com parcerias público-privadas, mas demandam transparência em impactos laborais. O Ministério agenda consultas públicas para alinhar a estatal ao novo mapa da aviação civil, equilibrando eficiência e inclusão social.
Essa ofensiva de concessões reflete confiança crescente de investidores no Brasil, após anos de incertezas regulatórias. O sucesso inicial pavimenta terreno para rodadas maiores, como os 11 blocos regionais leiloados em 2024, ampliando conectividade em áreas remotas.
Para o passageiro final, os benefícios chegam via tarifas controladas, pontualidade aprimorada e infraestrutura de ponta. Brasília, como capital política e econômica do Planalto, lidera essa transformação, projetando o país como potência aérea na América Latina.