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Economia

Governo central termina fevereiro com déficit de R$ 30 bilhões, mas segue com superávit no acumulado de 2026

31 mar 2026 - 09h04 Joice Gomes
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Governo central termina fevereiro com déficit de R$ 30 bilhões, mas segue com superávit no acumulado de 2026 Governo central registrou déficit primário de R$ 30,046 bilhões em fevereiro, mas o acumulado de janeiro e fevereiro de 2026 fecha em superávit de R$ 56,85 bilhões dentro da meta do arcabouço fiscal. (Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O governo central, formado por Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central, encerrou fevereiro de 2026 com um déficit primário de R$ 30,046 bilhões, segundo balanço divulgado pelo Tesouro Nacional. O número indica que, no mês, as despesas totais superaram as receitas, mesmo sem considerar os juros da dívida pública.

Apesar do resultado negativo em fevereiro, o desempenho foi melhor que o mesmo período de 2025, quando o rombo chegou a R$ 31,598 bilhões, e também ficou acima da expectativa do mercado, que estimava um déficit de cerca de R$ 34,3 bilhões para o mês.

Receita em alta, mas insuficiente

Em fevereiro, a receita líquida do governo central somou aproximadamente R$ 157,7 bilhões, variação de 5,6% acima da inflação em relação ao mesmo mês do ano anterior. O recorde foi impulsionado, em especial, pela arrecadação de tributos como Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins).

Houve ainda crescimento nas contribuições para a Previdência Social, associado à expansão do emprego formal, o que ajudou a mitigar queda em receitas não administradas, como dividendos de empresas estatais. Apesar desse cenário favorável, o aumento não foi suficiente para compensar o avanço das despesas obrigatórias e de programas estratégicos.

Despesas sob pressão do social e da máquina

As despesas totais em fevereiro alcançaram cerca de R$ 187,7 bilhões, expansão de 3,1% em termos reais ante 2025. Entre os principais fatores que puxaram esse movimento estão o programa Pé‑de‑Meia, reajustes de servidores e o aumento das despesas previdenciárias.

  • Educação registrou elevação de R$ 3,4 bilhões, em boa parte vinculada ao crescimento das despesas com o programa de incentivo financeiro para estudantes do ensino médio público.
  • A área de saúde concentrou aumento de R$ 1,4 bilhão, com destaque para repasses de benefícios e recursos a estados e municípios.
  • Com pessoal, salários, benefícios e encargos, houve incremento de R$ 2,2 bilhões, associado a reajustes salariais concedidos a servidores federais.
  • Previdência Social apresentou acréscimo de R$ 1,7 bilhão, resultado do aumento contínuo no número de beneficiários e de novas aposentadorias.

Superávit no primeiro bimestre

Embora o resultado de fevereiro tenha sido negativo, o governo ainda fecha o início de 2026 com saldo positivo no acumulado. Entre janeiro e fevereiro, o superávit primário atingiu R$ 56,85 bilhões, sustentado principalmente pelo forte resultado de R$ 86,9 bilhões obtido em janeiro.

No período, a receita líquida se aproximou de R$ 430,5 bilhões, alta de 2,8% acima da inflação, enquanto as despesas ficaram em torno de R$ 373,6 bilhões, avanço de 3% em termos reais. Historicamente, o primeiro trimestre tende a ser mais favorável para as contas públicas, pois muitos pagamentos importantes, como salários e benefícios, concentram‑se em meses posteriores do ano.

Meta de superávit de 0,25% do PIB

Para 2026, o governo fixou uma meta de superávit primário equivalente a 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), o que representa cerca de R$ 34,3 bilhões. O arcabouço fiscal atual contempla uma banda de tolerância de 0,25 ponto percentual, permitindo que o resultado final varie entre zero e até R$ 68,6 bilhões de superávit.

Na projeção oficial, que inclui precatórios e algumas rubricas de defesa, saúde e educação, o governo espera um déficit primário de aproximadamente R$ 59,8 bilhões ao longo do ano. Mesmo assim, dentro da margem de tolerância, o resultado final pode ser considerado compatível com a meta, desde que o desempenho ao longo dos meses permaneça dentro da faixa permitida.

Investimentos crescem e desafios fiscais persistem

Entre janeiro e fevereiro, os investimentos do governo, obras públicas, construção civil e compra de equipamentos, atingiram R$ 9,527 bilhões, expansão de 49,7% em termos reais ante o mesmo período de 2025. O aumento é visto como um sinal de que o governo busca manter o ritmo de aplicação em projetos produtivos apesar das restrições impostas pelo arcabouço fiscal.

Para o restante do ano, o principal desafio será conciliar o crescimento persistente das despesas obrigatórias, como Previdência, assistência social e reajustes salariais, com a necessidade de gerar resultado positivo conforme a trajetória da meta fiscal. O desempenho de fevereiro, apesar do déficit, mostra o governo ainda dentro de margens consideradas aceitáveis, desde que ajustes e controle de despesas sejam mantidos ao longo dos próximos meses.

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