Musical Dom Casmurro reestreia em São Paulo em abril de 2026, com sessões gratuitas no Itaú Cultural, trazendo uma leitura contemporânea do clássico de Machado de Assis.
(Imagem: Anne Beatriz/Itaú Cultural)
O musical Dom Casmurro retorna aos palcos de São Paulo com uma nova temporada no Itaú Cultural, na Avenida Paulista. O espetáculo, inspirado no romance de Machado de Assis, inicia a cartaz em 2 de abril de 2026 e segue em sessões até 12 de abril, todas com entrada gratuita mediante retirada de ingresso pela plataforma INTI.
Com direção geral de Zé Henrique de Paula, livreto e adaptação de Davi Novaes e direção musical de Guilherme Gila, o espetáculo revê a história de Bentinho, Capitu e Escobar a partir de uma linguagem contemporânea, misturando drama, música ao vivo e um olhar crítico sobre ciúme, masculinidade e desconfiança. A produção já foi premiada no Prêmio Bibi Ferreira 2025, na categoria de melhor dramaturgia original em musical, reforçando seu peso no cenário teatral brasileiro.
Trama e releitura contemporânea
A peça acompanha o jovem Bentinho, educado na elite carioca do século XIX, que é empurrado pela família para o seminário e, por isso, afastado de seu amor de infância, Capitu. Sob a influência de José Dias e Escobar, o protagonista rompe com o caminho religioso, casa‑se com a jovem e constrói uma vida aparentemente estável, mas é consumido por suspeitas sobre a fidelidade dela.
Em vez de apenas reproduzir a narrativa do romance, o musical amplia os conflitos psicológicos e sociais da trama, explorando como o olhar de Bentinho sobre Capitu revela tensões de gênero, controle e desconfiança. A adaptação de Davi Novaes problematiza a figura da mulher como “possível traidora” e confronta o espectador com as ambiguidades do personagem‑narrador, típico da prosa de Machado.
Linguagem musical e direção
A trilha do espetáculo, composta por Guilherme Gila, flerta com o rock e a MPB, criando um clima sonoro que oscila entre íntimo, melancólico e agressivo. As canções ajudam a mapear o deterioramento do casamento, a intensidade do ciúme e a crescente paranoia de Bentinho, ao mesmo tempo em que mantêm o tom poético da obra original.
A direção geral de Zé Henrique de Paula articula os eixos de corpo, voz e texto, buscando uma encenação que seja ao mesmo tempo teatral e musicalmente densa. A equipe trabalhou em um processo de cerca de três anos, discutindo como transformar um romance narrado em monólogo em uma peça coral com forte carga lírica, sem perder a complexidade psicológica do material machadiano.
Elenco e montagem
O elenco reúne atores experientes em teatro musical e dramaturgia contemporânea, entre eles Rodrigo Mercadante, Luci Saluzzi, Cleomacio Inácio, Bibi Tolentino, Fábio Enriquez, Nábia Villela e Eduardo Leão. Cada um assume papéis que oscilam entre personagens centrais e figuras de apoio, construindo uma trama coral em torno do casamento de Bentinho e Capitu.
A direção de movimento e coreografias, assinada por Zuba Janaína, dá corpo à tensão doméstica e às quebras de confiança entre os protagonistas. Os gestos, andamentos cênicos e o uso do espaço contribuem para transformar conflitos internos em imagens visíveis, conferindo ritmo teatral às cenas de diálogo e às sequências musicais.
Temporada no Itaú Cultural
- Período: 2 a 12 de abril de 2026
- Horários:
- Quinta‑feira a sábado, às 20h
- Domingo e feriado, às 18h
- Local: Teatro do Itaú Cultural (antiga Sala Itaú Cultural), Avenida Paulista, 149, São Paulo
- Duração: aproximadamente 140 minutos
- Classificação: recomendado a partir de 12 anos
A instituição disponibiliza todos os ingressos de forma gratuita, por meio da plataforma digital INTI, acessível pelo site do Itaú Cultural. A reserva é feita on‑line, sempre às 12h de cada terça‑feira, na semana da apresentação desejada. O sistema opera por lotes, o que exige atenção do público, pois o teatro comporta cerca de 224 espectadores por sessão.
Caminho da produção no Brasil
O musical “Dom Casmurro – musical inspirado na obra de Machado de Assis” estreou em novembro de 2024 no Teatro Estúdio, em São Paulo, em produção independente das companhias A Casa Que Fala e Tomate Produções. Depois do bom desempenho de bilheteria e repercussão crítica, o espetáculo circulou por outros espaços, como Sesc Santo Amaro, Pavilhão da Bienal e Teatro Gazeta, sempre com formato de música ao vivo e uma proposta autoral.
Além do prêmio no Bibi Ferreira, a peça recebeu indicações em outros circuitos de premiação, destacando-se como um dos poucos musicais brasileiros baseados diretamente em obras de ficção, em contraste com o modelo de biografias ou compilações de sucessos musicais. A escolha do Itaú Cultural para esta nova temporada reforça a aposta em um musical de autor que dialoga com a tradição literária nacional e com a cena teatral contemporânea.
Como assistir ao espetáculo
Para acompanhar o musical, o público precisa reservar o ingresso pela plataforma INTI, que controla o estoque de bilhetes e evita filas físicas na bilheteria. A retirada é feita apenas on‑line e, por ser uma edição gratuita, os lotes tendem a esgotar rápido, especialmente em fins de semana e feriados.
Com cerca de duas horas e vinte minutos de duração e linguagem acessível, o espetáculo é uma opção para quem busca uma experiência de teatro musical que cruza literatura, música e reflexão sobre relacionamentos e desconfiança. A temporada em cartaz no Itaú Cultural representa também um esforço para ampliar o acesso popular ao clássico de Machado, em um formato que dialoga com a cultura brasileira contemporânea.