Petrobras compra 42,5% de bloco de exploração de petróleo na Namíbia, em sociedade com TotalEnergies.
(Imagem: Arquivo/Agência Brasil)
A Petrobras anunciou a compra de 42,5% de participação no Bloco 2613, localizado na costa da Namíbia, na África. A área, na Bacia de Lüderitz, tem cerca de 11 mil quilômetros quadrados, equivalente à metade do estado de Sergipe.
A transação foi comunicada em fato relevante à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nesta sexta-feira (6). A Petrobras adquiriu os direitos das empresas Eight Offshore Investment Holdings e Maravilla Oil & Gas, que vendeu toda sua fatia.
A francesa TotalEnergies ficou com igual percentual e assume como operadora do bloco. A Namcor Exploration and Production, estatal namibiana, mantém 10%, enquanto a Eight retém 5%.
Retorno estratégico à África
A operação representa o retorno da Petrobras à Namíbia e integra o plano de expansão no continente africano. A presidente Magda Chambriard destacou a avaliação cuidadosa de áreas promissoras no Brasil e exterior.
"Temos avaliado com muito cuidado áreas que têm mostrado boas perspectivas, tanto no Brasil como em outras partes do mundo", afirmou Chambriard. A diretora de Exploração, Sylvia Anjos, enfatizou o conhecimento geológico da região, análoga às bacias brasileiras.
A Petrobras já atua em São Tomé e Príncipe desde 2024, com 45% em dois blocos e 25% em outro. Em outubro do mesmo ano, aprovou entrada na África do Sul, no bloco DWOB, via parceria com TotalEnergies.
- Bloco 2613: 42,5% Petrobras e 42,5% TotalEnergies;
- Namcor: 10% (estatal namibiana);
- Eight: 5% (após venda parcial).
Perspectivas geológicas promissoras
A Bacia de Lüderitz atrai interesse por similaridades com formações no Brasil e vizinhanças. Descobertas recentes na Namíbia e África do Sul impulsionam a exploração na costa oeste africana.
A conclusão depende de aprovações regulatórias, incluindo do Ministério da Indústria, Minas e Energia da Namíbia. O valor da transação não foi divulgado, mas alinha-se ao Plano de Negócios 2026-2030 da estatal.
Executivos veem na Petrobras expertise para mapear potenciais reservas. A região oferece analogias com o pré-sal brasileiro, o que eleva expectativas para achados significativos.
Expansão global da Petrobras
Além da África, a Petrobras opera na América do Sul e EUA. Na Colômbia, descobriu em 2024 a maior reserva de gás do país, no poço Sirius-2, com Ecopetrol.
Na Argentina, detém 33,6% no Rio Neuquén via subsidiária. Na Bolívia, produz gás nos campos San Alberto e San Antonio, com 35% em cada contrato.
Nos EUA, tem 20% em águas profundas do Golfo do México, via Petrobras America e joint venture com Murphy. No Brasil, foca na Margem Equatorial e Bacia de Pelotas.
- Colômbia: Maior reserva de gás histórica;
- Argentina: 33,6% no Rio Neuquén;
- Bolívia: 35% em San Alberto e San Antonio;
- EUA: 20% no Golfo do México.
Desempenho de produção e reservas
Em janeiro de 2026, a Petrobras bateu recorde de produção: 2,40 milhões de barris de óleo por dia (bpd), com 82% do pré-sal. Reservas totais atingiram 12,1 bilhões de boe em dezembro de 2025.
Desses, 84% são óleo e condensado, 16% gás natural. O índice de reposição de reservas (IRR) foi de 175% em 2025, superando a produção em 1,7 vez.
A relação reservas/produção é de 12,5 anos. A expansão em novas frentes, como a Namíbia, visa contrabalançar o declínio previsto para 2030.
A Petrobras reforça parcerias para diversificar riscos e acessar tecnologias. A TotalEnergies, com experiência local, opera descobertas como Venus e Mopane na Namíbia.
Analistas veem a jogada como positiva para o caixa da estatal. A transação segue governança corporativa e pode impulsionar ações (PETR4) no curto prazo.
O foco em exploração sustentável atende demandas globais por energia segura. A Namíbia emerge como polo petrolífero, beneficiando economia local e stakeholders.
Investidores acompanham aprovações para estimar impactos. A Petrobras consolida liderança em óleo e gás, equilibrando Brasil e internacional.