0:00 Ouça a Rádio
Sex, 13 de Fevereiro
Busca
0:00 Ouça a Rádio
Economia

Endividamento das famílias brasileiras atinge recorde de 79,5% em janeiro de 2026, mas inadimplência cai pelo terceiro mês consecutivo segundo pesquisa da CNC

06 fev 2026 - 14h26 Joice Gomes   atualizado às 14h29
Endividamento das famílias brasileiras atinge recorde de 79,5% em janeiro de 2026, mas inadimplência cai pelo terceiro mês consecutivo segundo pesquisa da CNC Endividamento familiar no Brasil alcançou 79,5% em janeiro de 2026, recorde histórico da Peic da CNC. (Imagem: Marcello Casal jr/Agência Brasil)

O endividamento das famílias brasileiras registrou um marco preocupante em janeiro de 2026. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 79,5% das famílias declararam ter algum tipo de dívida, igualando o recorde de outubro de 2025.

Esse patamar é o mais alto desde o início da série histórica, em 2010, e reflete um aumento em relação aos 78,9% de dezembro de 2025 e aos 76,1% de janeiro do ano anterior. A pesquisa, que ouviu 18 mil famílias em capitais e no Distrito Federal, destaca o cartão de crédito como principal vilão, presente em 85,4% dos casos de endividamento das famílias.

Apesar do avanço no endividamento, há um sinal positivo: a inadimplência caiu para 29,3%, marcando o terceiro mês consecutivo de recuo. Isso significa que menos famílias estão com contas atrasadas, embora o tempo médio de atraso tenha subido para 64,8 dias.

Endividamento atinge mais as famílias de baixa renda

O endividamento das famílias é mais acentuado entre quem ganha até três salários mínimos, fixado em R$ 1.621 desde janeiro. Nessas residências, o índice chega a 82,5%, enquanto nas de renda acima de dez mínimos cai para 68,3%.

Uma em cada cinco famílias, ou 19,5%, afirma comprometer mais da metade da renda com dívidas. Em média, 29,7% do orçamento familiar vai para quitação de contas, com prazo médio de 7,2 meses para zerar as pendências.

  • Cartão de crédito: 85,4%
  • Carnês: 15,9%
  • Crédito pessoal: 12,2%
  • Financiamento de casa: 9,6%
  • Financiamento de carro: 8,7%

Esses números mostram como o crédito rotativo e parcelado domina o perfil das dívidas no país. A CNC enfatiza que endividamento não é necessariamente ruim, pois impulsiona o consumo e a economia, mas alerta para os riscos quando compromete a capacidade de pagamento.

Inadimplência recua, mas riscos persistem

A queda na inadimplência para 29,3% traz alento, especialmente entre famílias de baixa renda, onde chega a 38,9%. Nas de maior renda, é de 14,9%. Ainda assim, 12,7% das famílias dizem não ter condições de quitar dívidas atrasadas, um índice estável.

Famílias inadimplentes há mais de 90 dias representam 49,2% do total, o maior nível em meses. Esse cenário é agravado pelos juros altos: a Selic está em 15% ao ano, maior patamar desde 2006, influenciando taxas de cartão e cheque especial.

A inflação (IPCA) controlou-se após 13 meses acima da meta de 4,5%, mas o custo do crédito continua apertando orçamentos. A política monetária restritiva desestimula consumo e investimentos, com impacto na geração de empregos.

Projeções indicam alta no endividamento

A CNC projeta que o endividamento das famílias subirá para 80,4% até junho de 2026, enquanto a inadimplência pode cair a 28,9%. A expectativa é de corte na Selic a partir de março, aliviando o crédito no segundo semestre.

O economista-chefe da entidade explica que o desaperto monetário demora a surtir efeito no varejo. “Vai levar tempo para as famílias sentirem juros menores”, avalia, recomendando educação financeira e uso consciente do crédito.

Historicamente, a Peic mostra tendência de alta no endividamento desde 2025, com picos em outubro (79,5%) e agora janeiro. Em agosto de 2025, inadimplência bateu recorde de 30,4%, ilustrando a volatilidade.

Impactos da Selic e dicas para famílias

Com Selic em 15%, empréstimos ficam caros, ampliando o endividamento das famílias. O presidente da CNC, José Roberto Tadros, cobra equilíbrio fiscal para flexibilizar a política monetária, beneficiando consumidores e empresas.

Para lidar com dívidas, especialistas sugerem priorizar pagamentos de juros altos, como cartão rotativo, e renegociar com bancos. Evitar novo crédito enquanto não quitarem pendentes é essencial para não agravar a situação.

O mercado de trabalho, com desemprego baixo mas informalidade alta, reduz previsibilidade de renda. Famílias devem planejar orçamentos, reservando reserva de emergência equivalente a seis meses de despesas.

Esses dados da Peic reforçam a necessidade de políticas que estimulem formalização e controlem inflação sem sacrificar o consumo. O endividamento das famílias cresceu, mas a queda na inadimplência abre janela para recuperação, desde que juros caiam.

A pesquisa continua essencial para monitorar o pulso financeiro do brasileiro, guiando empresários e governos em decisões estratégicas.

Mais notícias
STF julga possibilidade de aposentadoria especial do INSS para vigilantes e vigias
Previdência STF julga possibilidade de aposentadoria especial do INSS para vigilantes e vigias
Cade aprova por unanimidade aumento da participação da United Airlines na Azul para cerca de 8%
Cade Cade aprova por unanimidade aumento da participação da United Airlines na Azul para cerca de 8%
Espírito Santo retoma vice-liderança na produção de petróleo do Brasil em 2025 com Jubarte
Petróleo Espírito Santo retoma vice-liderança na produção de petróleo do Brasil em 2025 com Jubarte
Prefeitura de João Pessoa concede 30% de desconto no ITBI por tempo limitado
Fiscal Prefeitura de João Pessoa concede 30% de desconto no ITBI por tempo limitado
Portos do Brasil atingem recorde histórico com 1,4 bilhão de toneladas de cargas em 2025
Portos Portos do Brasil atingem recorde histórico com 1,4 bilhão de toneladas de cargas em 2025
Estados precisam criar 600 mil vagas na educação profissional até 2026 para renegociar dívidas com União
Educação Estados precisam criar 600 mil vagas na educação profissional até 2026 para renegociar dívidas com União
Produção industrial cresce acima da média do Brasil em sete estados em 2025
Economia Produção industrial cresce acima da média do Brasil em sete estados em 2025
Novas regras do PAT para vales-alimentação e refeição entram em vigor com limites a taxas
Economia Novas regras do PAT para vales-alimentação e refeição entram em vigor com limites a taxas
Banco Central divulga que brasileiros sacaram R$ 429 milhões em valores esquecidos em dezembro
Economia Banco Central divulga que brasileiros sacaram R$ 429 milhões em valores esquecidos em dezembro
Brasileiros se surpreendem com prazo do Imposto de Renda e data-limite em fevereiro
Fiscal Brasileiros se surpreendem com prazo do Imposto de Renda e data-limite em fevereiro
Mais Lidas
Bolsa Família terá pagamento duplo em fevereiro para beneficiários
Social Bolsa Família terá pagamento duplo em fevereiro para beneficiários
CBF divulga tabela detalhada da primeira fase da Copa do Brasil 2026
Futebol CBF divulga tabela detalhada da primeira fase da Copa do Brasil 2026
Brasileiros se surpreendem com prazo do Imposto de Renda e data-limite em fevereiro
Fiscal Brasileiros se surpreendem com prazo do Imposto de Renda e data-limite em fevereiro
Destino pouco explorado do Nordeste encanta turistas e vira o “Caribe Brasileiro”
Turismo Destino pouco explorado do Nordeste encanta turistas e vira o “Caribe Brasileiro”