Portos do Brasil movimentaram 1,4 bilhão de toneladas de cargas em 2025, novo recorde histórico divulgado pela Antaq.
(Imagem: Arquivo/26.07.2012/Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Os portos organizados do Brasil fecharam 2025 com um feito impressionante: a movimentação de 1,4 bilhão de toneladas de cargas, um aumento de 6,1% sobre o ano anterior.
Dados oficiais da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) confirmam que esse volume supera todos os registros anteriores, consolidando o setor como pilar essencial da balança comercial brasileira.
O crescimento ocorre em meio a um cenário favorável de alta demanda internacional por commodities brasileiras, aliado a melhorias operacionais nos terminais portuários.
Composição detalhada das cargas movimentadas
Os granéis sólidos lideraram o desempenho, com 839,7 milhões de toneladas transportadas, alta de 6,3% em relação a 2024, impulsionados principalmente pelo minério de ferro.
Granéis líquidos, como petróleo bruto e derivados, somaram 333 milhões de toneladas, com crescimento de 6,1%, enquanto contêineres alcançaram 164,6 milhões de toneladas, avanço de 7,2%.
As cargas gerais soltas, que incluem produtos manufaturados, registraram 65,8 milhões de toneladas, com modesta alta de 0,8%, completando o mosaico da movimentação de cargas nacional.
- Granéis sólidos: 839,7 milhões de toneladas (+6,3%), com destaque para minério
- Granéis líquidos: 333 milhões de toneladas (+6,1%), puxados por óleo bruto
- Contêineres: 164,6 milhões de toneladas (+7,2%), recorde no modal
- Cargas gerais soltas: 65,8 milhões de toneladas (+0,8%)
Evolução dos investimentos no setor portuário
Um dos motores desse sucesso foi o salto nos investimentos privados, que passaram de R$ 129,3 bilhões em 2020 para R$ 234,9 bilhões em 2025, segundo relatório da Antaq.
No âmbito público, os valores evoluíram de R$ 36,4 bilhões para R$ 45,1 bilhões no mesmo período, totalizando R$ 280 bilhões aplicados em modernização de terminais e ampliação de capacidade.
Esses aportes permitiram maior eficiência operacional, redução de gargalos e preparação para volumes ainda maiores, com foco em parcerias público-privadas que atraíram capital estrangeiro.
O Porto de Santos, maior do país, exemplifica essa tendência ao registrar 186 milhões de toneladas movimentadas, seu melhor resultado histórico, com exportações crescendo 4,6%.
Trajetória de recordes ao longo de 2025
O ano inteiro foi pontuado por marcas expressivas: em maio, os portos movimentaram 118,4 milhões de toneladas, crescimento de 6,94%, seguido por recordes consecutivos nos meses seguintes.
No primeiro semestre, o setor aquaviário já superava expectativas, com destaque para soja (+11,25%) e petróleo (+7,27%), enquanto terminais privados como Itapoá cresceram 27%.
Até novembro, o acumulado nacional beirava 1,28 bilhão de toneladas, ritmo que se manteve até o fechamento anual, beneficiado pela cabotagem, que subiu 3,64% em alguns períodos.
- Porto de Santos: 186 milhões de toneladas, 29,6% do total nacional
- Paranaguá: expansão acima de 10% em granéis agrícolas
- Itaqui e Suape: ganhos regionais significativos no Nordeste
- Cabotagem: fortalecimento da navegação entre portos brasileiros
Perspectivas e investimentos planejados
Para 2026, a Antaq estima 1,44 bilhão de toneladas (+2,7%), com projeção de 1,59 bilhão até 2030, demandando R$ 96,7 bilhões em novos investimentos.
Entre as prioridades estão dragagens (R$ 3,7 bilhões), concessões de terminais e obras como o Túnel Santos-Guarujá (R$ 6,8 bilhões), além de R$ 20 bilhões via leilões previstos.
Os desafios incluem integração com modais rodoviário e ferroviário, sustentabilidade ambiental e manutenção da competitividade frente a concorrentes regionais como Argentina e Uruguai.
O diretor-geral da agência, Frederico Dias, reforça que o setor responde por cerca de 26% do PIB brasileiro, sendo crucial para sustentar exportações e atrair investimentos estrangeiros.
Esse desempenho posiciona o Brasil como potência logística no Atlântico Sul, com potencial para capturar fatias maiores do comércio global de commodities nos próximos anos.