Em dezembro, brasileiros resgataram R$ 429 milhões em valores a receber esquecidos em bancos pelo Sistema de Valores a Receber do Banco Central.
(Imagem: José Cruz/Agência Brasil)
Os brasileiros resgataram R$ 429,18 milhões em valores a receber esquecidos no sistema financeiro durante dezembro do ano passado. A informação foi divulgada pelo Banco Central nesta terça-feira, 10 de fevereiro.
Até o momento, o Sistema de Valores a Receber (SVR) já devolveu R$ 13,35 bilhões a clientes de instituições financeiras. Ainda restam R$ 10,27 bilhões disponíveis para saque por pessoas físicas e jurídicas.
O que é o sistema de valores a receber
O SVR é um serviço gratuito do Banco Central que permite consultar recursos esquecidos em bancos, consórcios, corretoras e outras instituições. Esses valores a receber incluem saldos de contas encerradas, tarifas cobradas indevidamente e cotas de consórcios não procurados.
A consulta inicial não exige login: basta informar CPF e data de nascimento para pessoas físicas ou CNPJ e data de abertura para empresas. Para solicitar o resgate, é necessário acessar com conta Gov.br nos níveis prata ou ouro, com autenticação em duas etapas.
O impacto desse sistema é significativo, pois milhões de brasileiros desconhecem esses recursos. Em dezembro, o movimento reflete o interesse crescente pela ferramenta, especialmente após atualizações que facilitam o processo.
Como resgatar os valores esquecidos
Existem três formas principais de receber os valores a receber. A primeira é contatar diretamente a instituição financeira responsável, informada no sistema. A segunda envolve solicitar pelo SVR, e a terceira é a devolução automática, exclusiva para pessoas físicas com chave Pix do tipo CPF.
Com a solicitação automática, o cidadão adere uma vez e recebe créditos futuros diretamente na conta, sem necessidade de consultas periódicas. Essa opção simplifica o acesso e aumenta a eficiência do processo.
- Contas-correntes ou poupança encerradas sem saque total.
- Cotas de capital e sobras de cooperativas de crédito.
- Recursos de consórcios encerrados não resgatados.
- Tarifas e parcelas cobradas indevidamente por instituições.
- Contas de pagamento e registros de corretoras encerradas.
Estatísticas de beneficiários e volumes
Até dezembro, 37.064.451 correntistas já sacaram seus valores a receber, sendo 33.246.064 pessoas físicas e 3.818.387 jurídicas. Outros 54.620.452 beneficiários ainda não resgataram, com 49.593.605 pessoas físicas e 5.026.847 empresas pendentes.
A distribuição mostra que a maioria lida com quantias pequenas: 64,94% dos beneficiários têm até R$ 10; 23,3% entre R$ 10,01 e R$ 100; 9,9% de R$ 100,01 a R$ 1 mil; e apenas 1,87% acima de R$ 1 mil. Esses dados destacam o alcance amplo do SVR para o público geral.
Comparando com meses anteriores, o estoque disponível caiu de R$ 10,4 bilhões em agosto para R$ 10,27 bilhões em dezembro, sinalizando resgates contínuos. Em novembro, restavam cerca de R$ 8,69 bilhões não sacados de um total maior disponibilizado.
Por que isso importa para as finanças pessoais
Os valores a receber representam uma oportunidade real de alívio financeiro em tempos de inflação e custos elevados. Muitos descobrem recursos de anos atrás, como saldos de contas antigas ou reembolsos de erros bancários, que podem cobrir despesas essenciais.
O Banco Central atualiza as estatísticas com defasagem de dois meses, incorporando novas fontes de recursos. Isso garante transparência e incentiva consultas regulares, pois novas disponibilizações ocorrem periodicamente.
Para o futuro, espera-se que o SVR continue evoluindo, com mais automação e inclusão de novas modalidades. O volume restante de R$ 10,27 bilhões sugere potencial para bilhões adicionais em circulação na economia.
Cuidados contra golpes no SVR
O Banco Central alerta para estelionatários que oferecem intermediação nos valores a receber mediante pagamento. Todos os serviços do SVR são gratuitos, sem envio de links ou pedidos de senhas por terceiros.
A autarquia enfatiza: ninguém está autorizado a solicitar dados pessoais ou senhas em nome do BC. Denuncie suspeitas diretamente ao site oficial e consulte apenas pelo portal do Banco Central.
Essa precaução é crucial, pois o sucesso do sistema atrai fraudadores. Manter a consulta oficial protege o cidadão e preserva a confiança no mecanismo.