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Economia

Produção industrial cresce acima da média do Brasil em sete estados em 2025

11 fev 2026 - 07h38 Joice Gomes
Produção industrial cresce acima da média do Brasil em sete estados em 2025 Em 2025, a produção industrial brasileira cresceu 0,6%, mas indústrias de sete estados superaram essa média. (Imagem: Petrobras/Divulgação)

A produção industrial brasileira expandiu 0,6% em 2025, medido na comparação com 2024, segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal Regional divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ao mesmo tempo, a atividade fabril de sete estados registrou crescimento mais intenso que esse resultado médio, contrapondo‑se a unidades da federação que apresentaram quedas ou taxa de expansão menor que o país como um todo.

Sete estados com expansão mais forte

O IBGE acompanha a produção industrial em 18 locais, entre 17 unidades da federação com participação mínima de 0,5% no total nacional e o Nordeste como região agregada. Entre esses, sete estados mostraram taxa de crescimento em 2025 acima do 0,6%, destacando‑se pelo volume de faturamento, grau de complexidade de bens produzidos e articulação com cadeias de energia e commodities.

  • Espírito Santo: avanço de 11,6% na produção industrial.
  • Rio de Janeiro: crescimento de 5,1%.
  • Santa Catarina: expansão de 3,2%.
  • Rio Grande do Sul: alta de 2,4%.
  • Goiás: aumento de 2,4%.
  • Minas Gerais: expansão de 1,3%.
  • Pará: avanço de 0,8%.

O maior destaque fica com o Espírito Santo, que concentra forte base de mineração e exploração de petróleo, seguido pelo Rio de Janeiro, polo energético de peso nacional. No conjunto, esses sete locais ajudaram a sustentar a média nacional da produção industrial brasileira em 2025.

Setores que impulsionaram os melhores resultados

No Espírito Santo, o impulso mais relevante veio de atividades de extração de petróleo e gás natural, além da produção de minério de ferro, responsáveis por parcela expressiva das exportações de materiais primários e energéticos. Também influenciaram o desempenho local os segmentos de produtos químicos e de minerais metálicos, que se beneficiaram de demanda externa e interna em alta.

Em Santa Catarina, o crescimento acima da média foi sustentado pela indústria de alimentos e pela produção de máquinas, aparelhos e materiais elétricos. O processamento de carnes e derivados de aves, o beneficiamento de peixes e a fabricação de embutidos de suínos colaboraram para manter o fluxo em frigoríficos e plantas de alimentos. Ao mesmo tempo, o segmento de máquinas e equipamentos elétricos registrou nível firme de encomendas e investimentos.

No Rio Grande do Sul, Goiás e Minas Gerais, o desempenho positivo passou por combinação de bens de consumo não duráveis, insumos agrícolas e equipamentos produtivos. Setores de metalurgia básica, maquinário agrícola e produtos alimentícios se beneficiaram de melhores níveis de demanda doméstica e de programações de exportações mais robustas, apesar de, em alguns casos, ter enfrentado gargalos de custos e juros.

Estados com expansão abaixo da média

Ao lado dos sete que se destacaram, três unidades da federação registraram crescimento em 2025, mas bem mais moderado que o 0,6% nacional. Em ordem decrescente ficam Bahia e Paraná, ambos com avanço de 0,3%, e Amazonas, com alta de 0,1% na produção industrial.

Esse patamar discreto sinaliza que, ainda que não tenham recuado, esses Estados não aportaram forças adicionais ao indicador agregado. Em vários deles, a indústria de bens de consumo, equipamentos e componentes eletrônicos operou com ritmo mais contido, refletindo menor dinamismo de gastos das famílias e menor intensidade na compra de máquinas pelas empresas.

Locais que tiveram queda na produção

Oitavo locais pesquisados encerraram 2025 com retração na produção industrial, marcando contraste com o cenário de leve expansão nacional. A lista inclui São Paulo, responsável por cerca de um terço da indústria brasileira, que registrou queda de 2,2% nesse período.

A redução paulista foi impulsionada sobretudo pela fabricação de derivados de petróleo – como diesel, gasolina, álcool etílico, asfalto e naftas – e por menor produção de medicamentos. Em Mato Grosso, Pernambuco e outros Estados, a queda se concentrou em setores ligados à agricultura industrial, à indústria química e à fabricação de fertilizantes.

Em termos porcentuais, alguns Estados tiveram recuos de dois dígitos. O Rio Grande do Norte, por exemplo, registrou baixa de 11,6%, enquanto Mato Grosso do Sul apresentou queda de 12,9%. Nestes casos, o desempenho negativo esteve associado sobretudo a retração na produção de coque, combustíveis derivados de petróleo, biocombustíveis e outras bases energéticas.

Por que essa diversidade de resultados importa

A distribuição desigual de resultados entre Estados revela como a indústria brasileira concentra parte relevante da atividade em cadeias de energia, mineração e bens intermediários. Quando locais como Espírito Santo, Rio de Janeiro e Santa Catarina puxam o desempenho, compensam boa parte do impacto das quedas em São Paulo e Mato Grosso, evitando que a média nacional caia.

Essa dinâmica também diferencia o impacto em emprego e renda: regiões industriais com crescimento mais acentuado tendem a manter ou aumentar a contratação formal, enquanto Estados com retração precisam pressionar mais serviços focados na manutenção de vínculos de trabalho e limitam a abertura de novos investimentos grandes.

O que pode acontecer nos próximos anos

Análises do IBGE e de centros de pesquisa indicam que, ainda que o avanço de apenas 0,6% em 2025 pareça modesto, muitos segmentos industriais permanecem acima dos níveis anteriores a 2023, sustentados por investimentos prévios em infraestrutura, energia e mineração. Isso sugere que parte da expansão atual se apoia em projetos estruturantes, e não apenas em aumentos temporários de demanda.

Diante de juros tendendo à estabilidade, inflação sob controle e cadeias de suprimento menos fragilizadas, Estados com forte base em energia, materiais básicos, alimentos e máquinas podem seguir como motores da indústria brasileira em 2026 e além. Ao mesmo tempo, a herança da dependência de commodities e de derivados da petroquímica torna esse conjunto de atividades sensível a choques externos, mudanças de preços de energia e eventuais ajustes nas políticas ambientais.

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