Espírito Santo volta a ser o segundo maior produtor de petróleo do Brasil em 2025, com 193 mil barris diários.
(Imagem: Petrobras/Divulgação)
O Espírito Santo recuperou em 2025 a posição de segundo maior produtor de petróleo do país, ultrapassando São Paulo após seis anos. A produção estadual atingiu média de 193 mil barris por dia, equivalente a 5,1% do total nacional, segundo boletim da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Esse avanço representa um crescimento de 24,5% em relação a 2024, enquanto o Rio de Janeiro manteve a liderança com 87,8% da produção brasileira. No ano passado, o Brasil extraiu recorde de 3,77 milhões de barris diários, alta de 12,3% ante o período anterior.
Campo de Jubarte lidera o crescimento
O Campo de Jubarte, localizado no Parque das Baleias na Bacia de Campos, responde por 77,3% da produção capixaba e registrou aumento de 32,8% entre 2024 e 2025. Operado exclusivamente pela Petrobras a 76 km de Anchieta, o campo alcançou 152 mil barris diários no fim do ano, tornando-se o quinto maior do país.
A entrada em operação da plataforma FPSO Maria Quitéria, em outubro de 2024, foi decisiva. Com capacidade para 100 mil barris de petróleo e 5 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, a unidade elevou a extração em poços do pré e pós-sal.
- Produção offshore no estado: 185,5 mil barris/dia, alta de 25,9%.
- Produção onshore: 7,4 mil barris/dia, com leve queda de 1,7%.
- São Paulo registrou 184,5 mil barris/dia, caindo para terceiro lugar.
Impactos econômicos no Espírito Santo
A retomada da vice-liderança no petróleo impulsionou o crescimento industrial do estado, que liderou o país com alta de 11,6% em 2025, bem acima da média nacional de 0,6%, conforme o IBGE. O setor de óleo e gás movimenta mais de 600 empresas e gera pelo menos 15 mil empregos formais com salários acima da média.
Instituições como a Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) destacam que a cadeia produtiva irradia oportunidades, fortalecendo fornecedores e serviços. O Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) reforça o papel da Petrobras na ampliação de ganhos energéticos e arrecadação para o estado e municípios vizinhos.
Esses números reafirmam a importância estratégica do petróleo para a economia regional, com efeitos positivos no desenvolvimento produtivo e territorial.
Histórico e desafios da produção
Entre 2007 e 2018, o Espírito Santo ocupou consistentemente o segundo lugar no ranking nacional, mas foi superado por São Paulo de 2019 a 2024. Em picos passados, como 2016, a produção chegou a quase 394 mil barris diários, superando os atuais 193 mil.
Trabalhadores do setor, representados pelo Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santo (SindipetroES), celebram o marco, mas alertam para a concentração na Bacia de Campos. A Bacia do Espírito Santo, no litoral norte, viu redução na extração, demandando mais investimentos em exploração.
- Concessão do Jubarte prorrogada até 2056 pela ANP e Petrobras.
- Campos privatizados priorizam produção atual, com menos novas descobertas.
- Produção de 2025 supera 2022-2024, mas fica abaixo de 2021 (210 mil barris/dia).
Perspectivas e manutenções recentes
A FPSO Maria Quitéria parou em dezembro de 2025 para reparos no gasoduto de exportação, com expectativa de retorno em fevereiro de 2026, o que deve elevar ainda mais a produção de petróleo. A Findes projeta continuidade do crescimento, atraindo novos investimentos.
Para o futuro, o foco está em equilibrar a exploração entre bacias, ampliando a sustentabilidade do setor. O petróleo continua como pilar para o posicionamento estratégico do Espírito Santo no mapa energético nacional, com potencial para mais avanços nos próximos anos.
O Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) enfatiza que esses ganhos fortalecem a Petrobras como indutora de desenvolvimento, beneficiando toda a cadeia econômica.