Os 22 estados aderidos ao Propag devem abrir 600 mil vagas gratuitas em educação profissional e tecnológica até o fim de 2026.
(Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
O Ministério da Educação (MEC) definiu metas claras para que 22 estados criem pelo menos 600 mil novas matrículas na educação profissional de nível médio até o final de 2026. Essa exigência integra o programa Juros por Educação, parte do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), instituído pela Lei Complementar 212/2025.
As regras foram publicadas em portaria no Diário Oficial da União no dia 9 de fevereiro de 2026, estabelecendo obrigações para os entes que aderiram à renegociação de dívidas com a União. A medida visa transformar o alívio fiscal em investimentos concretos na formação técnica de jovens, aproximando a escola do mundo do trabalho.
Como funciona o Juros por Educação
O Juros por Educação permite que estados participantes do Propag reduzam os juros reais de suas dívidas com a União, desde que apliquem os recursos economizados na expansão de vagas gratuitas em cursos técnicos. As dívidas são refinanciadas em até 360 parcelas mensais, com redução gradual das prestações nos primeiros cinco anos: 20% no primeiro ano, 40% no segundo, e assim por diante até 100% a partir do quinto ano.
Os estados devem registrar as matrículas no Sistema Nacional de Informações da Educação Profissional e Tecnológica (Sistec), garantindo transparência no cumprimento das metas. O MEC fará acompanhamento periódico por meio de balanços e relatórios, avaliando o progresso de cada unidade federativa.
As novas vagas podem ser oferecidas em modalidades como ensino médio integrado ou concomitante à educação profissional, subsequente ao ensino médio ou na educação de jovens e adultos (EJA), respeitando as Diretrizes Curriculares Nacionais. Isso permite flexibilidade para atender públicos diversos, incluindo quem não concluiu os estudos na idade regular.
Estados participantes e metas individuais
Os 22 estados que aderiram ao Propag são Acre, Alagoas, Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Rio Grande do Sul, Sergipe, São Paulo e Tocantins. Eles ficaram fora do programa Distrito Federal, Mato Grosso, Pará, Paraná e Santa Catarina.
- As metas são calculadas com base no Plano Nacional de Educação (PNE) 2026-2036 e na população do último Censo do IBGE.
- Cada estado tem um déficit específico de matrículas, ajustado proporcionalmente à sua realidade demográfica.
- O volume total de 600 mil vagas representa um esforço coletivo para suprir carências na formação técnica nacional.
Embora as metas exatas por estado sejam detalhadas em quadro na portaria do MEC, o foco recai sobre a expansão em áreas de alta demanda, como gestão, tecnologia e recursos naturais. Estados como Rio Grande do Sul e Minas Gerais, com dívidas elevadas, veem na iniciativa uma oportunidade de alívio fiscal aliado a ganhos educacionais de longo prazo.
Objetivos e impactos na educação pública
A iniciativa busca evitar a evasão escolar, melhorar a infraestrutura das escolas técnicas e promover a formação continuada de professores. Ao vincular finanças públicas à educação profissional, o programa incentiva investimentos em equipamentos e sistemas de informação, vedando o uso para despesas correntes ou folha de pagamento, exceto itens ligados à expansão.
- Redução da evasão: Cursos técnicos aproximam estudantes do emprego, elevando retenção no ensino médio.
- Melhoria na infraestrutura: Recursos para obras e aquisição de materiais permanentes.
- Formação docente: Capacitação contínua para elevar a qualidade dos cursos.
- Empregabilidade: Alinhamento com demandas do mercado, gerando impacto socioeconômico positivo.
Estudos indicam que expandir a educação profissional pode triplicar matrículas em ensino técnico, elevando a renda futura dos jovens e impulsionando a produtividade regional. Para o país, isso significa avançar rumo à meta do PNE de 37% de jovens entre 15 e 19 anos em cursos profissionalizantes.
Consequências fiscais e perspectivas futuras
Para os estados, o cumprimento das metas garante juros reais zerados ou reduzidos, 17 unidades já têm taxa de 0%, enquanto Paraíba e Rondônia pagam 1% e 2% ao ano, respectivamente. O parcelamento em 30 anos e amortizações extraordinárias aliviam o caixa imediato, liberando verbas para educação sem comprometer serviços essenciais.
O MEC exige submissão de planos de aplicação à Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec), assegurando que os investimentos sejam direcionados corretamente. Caso as metas sejam superadas, estados ganham flexibilidade nos recursos, ampliando o impacto.
Olhando adiante, o sucesso do Juros por Educação pode inspirar modelos semelhantes em outras áreas prioritárias do Propag, como segurança e infraestrutura. Até 2030, espera-se um salto na oferta de formação técnica, beneficiando milhões de jovens e fortalecendo a economia brasileira com mão de obra qualificada. O monitoramento rigoroso pelo MEC garantirá responsabilidade, transformando dívidas em oportunidades concretas de desenvolvimento.
Essa estratégia reforça o compromisso federativo com a educação como motor de crescimento, equilibrando contas públicas e prioridades sociais em um contexto de recuperação fiscal pós-pandemia e reformas tributárias.