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Geopolítico

Brasil é citado como possível líder de nova aliança global ao lado de países aliados

04 fev 2026 - 20h49 Alexsander Arcelino
Bandeira do Brasil representando papel do país em alianças globais Brasil é citado como possível líder de nova articulação internacional em defesa da democracia. (Imagem: Canva / Imagem ilustrativa)

O Brasil foi apontado pela organização Human Rights Watch (HRW) como um dos países com potencial para liderar uma nova aliança global em defesa da democracia e dos direitos humanos. A avaliação consta no 36º Relatório Mundial de Direitos Humanos, divulgado nesta quarta-feira (4), e surge em meio a críticas ao atual cenário da ordem internacional liderada pelos Estados Unidos.

Segundo a entidade, o retorno de Donald Trump à presidência norte-americana teria intensificado um processo de enfraquecimento democrático em diversas regiões do mundo. A Human Rights Watch avalia que esse movimento se soma à influência de potências autoritárias, como China e Rússia, criando um ambiente de maior instabilidade política e institucional no cenário global.

Para enfrentar esse contexto, a organização defende a formação de uma aliança global composta por países comprometidos com valores democráticos, respeito aos direitos humanos e às normas do direito internacional. Além do Brasil, o relatório cita Canadá, Japão, Austrália, Reino Unido e nações da União Europeia como atores estratégicos nesse possível bloco internacional.

A HRW destaca que essa coalizão não deve se limitar a declarações políticas. A proposta envolve a criação de acordos comerciais, diplomáticos e de segurança que estejam condicionados ao cumprimento de padrões mínimos de direitos humanos. O objetivo seria criar incentivos concretos para que governos mantenham compromissos democráticos e evitem retrocessos institucionais.

“O sistema global de direitos humanos está em perigo”, afirmou Philippe Bolopion, diretor-adjunto da Human Rights Watch. De acordo com ele, a ordem internacional baseada em regras enfrenta um processo de desgaste acelerado, impulsionado tanto pela postura do governo dos Estados Unidos quanto pela atuação contínua de regimes autoritários em diferentes partes do mundo.

Atuação conjunta e críticas aos Estados Unidos

O relatório também enfatiza a importância de uma atuação coordenada dessa aliança global dentro das Nações Unidas. A organização avalia que uma articulação mais firme entre esses países poderia fortalecer mecanismos internacionais de responsabilização e limitar abusos cometidos por Estados e líderes políticos.

Um dos pontos centrais do documento é o capítulo dedicado aos Estados Unidos, considerado atípico em comparação com edições anteriores do relatório. A Human Rights Watch faz críticas diretas ao governo norte-americano, apontando o que classifica como um “desprezo pelos direitos humanos” e uma tendência de enfraquecimento dos freios e contrapesos institucionais.

Entre os exemplos citados estão operações da agência de imigração (ICE) classificadas como abusivas, o uso de forças de segurança em ações internas com viés político e a perseguição a opositores. O relatório também menciona tentativas de concentrar poder no Executivo, o que, segundo a entidade, representa riscos à democracia no país.

A ONG ainda reiterou acusações de violações graves ao direito internacional, incluindo a deportação de 252 migrantes venezuelanos para uma prisão de segurança máxima em El Salvador. De acordo com a HRW, o episódio pode ser enquadrado como desaparecimento forçado, crime previsto em tratados internacionais. Relatos posteriores apontaram denúncias de tortura, agressões físicas e violência sexual contra os detidos.

Para a organização, o fortalecimento de uma aliança global liderada por países democráticos seria uma resposta direta a esse cenário, buscando preservar normas internacionais, direitos fundamentais e a estabilidade institucional em escala mundial.

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