Bolsa Família inicia 2026 com valor médio de R$ 697,77 por família, incluindo benefícios complementares.
(Imagem: Lyon Santos / MDS)
Mais de 2 milhões de famílias brasileiras deixaram o Bolsa Família ao longo de 2025 e não receberão o benefício em 2026. O principal motivo para o desligamento foi o aumento da renda familiar, critério central para a permanência no programa de transferência de renda do governo federal.
De acordo com relatórios do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, 1,3 milhão de famílias foram excluídas após superarem o limite de renda exigido. Outras 726,7 mil encerraram o período da chamada regra de proteção, mecanismo que permite a transição gradual para fora do programa.
O Bolsa Família é destinado a famílias com renda mensal per capita de até R$ 218. Quando a renda ultrapassa esse valor, mas permanece abaixo de R$ 706, o beneficiário pode continuar recebendo 50% do valor do benefício por até 12 meses, período criado para garantir estabilidade financeira durante a mudança de situação econômica.
Influência do mercado de trabalho
O desligamento em larga escala está diretamente relacionado à melhora do mercado de trabalho no país. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) indicam que 98,87% das vagas formais criadas em 2024 foram ocupadas por pessoas inscritas no Cadastro Único (CadÚnico).
Esse cenário contribuiu para que milhares de famílias alcançassem renda suficiente para sair do programa, reforçando o papel do emprego formal na promoção da autonomia financeira.
Outro fator relevante foi o crescimento do número de microempreendedores individuais (MEIs). Muitos beneficiários passaram a empreender após participarem de capacitações e ações de incentivo promovidas por políticas públicas e parcerias com a iniciativa privada.
Mudanças nas regras do Bolsa Família
Em julho de 2025, o governo federal promoveu ajustes no funcionamento do Bolsa Família com o objetivo de tornar o programa mais eficiente. Entre as mudanças, o período da regra de proteção foi reduzido de 24 para 12 meses, além da revisão dos critérios de elegibilidade.
Segundo o governo, as alterações buscam direcionar os recursos às famílias em situação de maior vulnerabilidade, sem comprometer o equilíbrio fiscal do programa.
Para 2026, o orçamento destinado ao Bolsa Família será de R$ 158,6 bilhões, valor ligeiramente inferior ao do ano anterior. A redução acompanha a estratégia de focar a assistência em situações emergenciais e estimular a transição dos beneficiários para a independência financeira.