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Trator do Sertão

Centenário de Geraldo Coelho: O legado do “Trator do Sertão” que redesenhou o futuro de Pernambuco

O centenário de Geraldo Coelho celebra a trajetória do líder que uniu engenharia e política para transformar o Sertão em um polo de desenvolvimento mundial.

10 abr 2026 - 07h52 Joice Gomes   atualizado às 08h00
Centenário de Geraldo Coelho: O legado do “Trator do Sertão” que redesenhou o futuro de Pernambuco Geraldo Coelho, conhecido como o Trator do Sertão, completaria 100 anos em 2026, deixando um legado de progresso em Petrolina. (Imagem: Reprodução)

O pujante polo de fruticultura irrigada do Vale do São Francisco, que hoje exporta para os quatro cantos do mundo, não nasceu por acaso, mas sim do esforço de homens que enxergaram potencial onde outros viam apenas seca. Entre esses visionários, destaca-se a figura de Geraldo de Souza Coelho, cujo centenário de nascimento celebra não apenas uma data, mas o marco de uma transformação estrutural que mudou a face do Sertão pernambucano para sempre.

Nascido em Petrolina em 5 de abril de 1926, Geraldo Coelho não foi apenas um herdeiro de uma linhagem política tradicional; ele foi um executor implacável. Engenheiro civil por formação, ele trouxe o rigor da técnica para o campo da vida pública, entendendo que a política deveria ser o motor da engenharia social e econômica necessária para tirar sua região do isolamento histórico.

Sua jornada começou no Legislativo municipal, mas foi como prefeito de Petrolina, entre 1973 e 1977, que ele lançou os alicerces da cidade moderna. Ao priorizar a infraestrutura urbana e a eletrificação rural, Geraldo permitiu que o interior começasse a sonhar com a industrialização e a modernização do campo. Na prática, isso muda mais do que parece: foi a transição de uma economia de subsistência para um modelo de exportação e inovação.

O que está por trás do apelido “Trator do Sertão”

O codinome pelo qual Geraldo Coelho ficou conhecido em todo o estado não era mera retórica política. O apelido “Trator do Sertão” traduzia sua capacidade singular de remover obstáculos burocráticos e físicos para realizar obras que muitos consideravam impossíveis. Ele não era um político de discursos vagos, mas de canteiro de obras, focando naquilo que trazia retorno imediato para a dignidade do povo sertanejo.

Sua atuação na Assembleia Legislativa de Pernambuco, onde exerceu seis mandatos consecutivos, foi fundamental para a organização institucional do estado. Ao presidir a Comissão de Sistematização da Constituinte de 1989, Geraldo Coelho ajudou a escrever as regras que regem a vida dos pernambucanos até hoje, demonstrando que sua habilidade técnica era acompanhada de uma profunda consciência democrática e jurídica.

Mas o impacto vai além das leis escritas. Como um dos grandes articuladores da agricultura irrigada, ele foi peça-chave para que Petrolina se tornasse o Aeroporto Internacional que é hoje, conectando o Sertão diretamente aos mercados da Europa e dos Estados Unidos. Sem sua visão sobre logística e qualificação profissional, o Vale do São Francisco dificilmente teria alcançado o status de referência mundial em fruticultura.

Por que seu legado na gestão financeira ainda importa hoje

E é aqui que está o ponto central: Geraldo Coelho compreendia o orçamento público como uma ferramenta de justiça social. Sua atuação recorrente na Comissão de Finanças, Orçamento e Tributação da ALEPE deixou uma lição de que cada centavo investido deve ter um propósito claro de desenvolvimento regional. Para ele, uma estrada ou uma escola não eram apenas despesas, mas investimentos em liberdade e autonomia para o sertanejo.

A criação da Faculdade de Petrolina (FACAPE) é um exemplo prático desse pensamento. Ao investir na educação superior local, ele garantiu que a própria gente da região estivesse preparada para gerir os frutos da irrigação, evitando a dependência de mão de obra externa e criando uma classe média intelectualizada no coração do semiárido.

Olhar para a trajetória de Geraldo Coelho no seu centenário é entender que o progresso exige coragem para enfrentar estruturas arcaicas. O “Trator” parou, mas os caminhos que ele abriu continuam sendo percorridos por milhares de pernambucanos que hoje vivem em uma região próspera. Seu exemplo permanece como um norte necessário para a política atual, reafirmando que o desenvolvimento sustentável nasce da união entre visão técnica, compromisso ético e uma paixão inabalável pelas origens.

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