Servidoras federais participam de atividade de formação em liderança na Escola Nacional de Administração Pública.
(Imagem: Agência Gov via MGI)
A participação de mulheres em posições de liderança no Poder Executivo Federal registrou crescimento nos últimos anos. Um estudo divulgado pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos mostra que a presença feminina na alta liderança do governo passou de 29% em fevereiro de 2022 para 38% em fevereiro de 2026.
O levantamento intitulado Perfil das Lideranças no Governo Federal com recorte de gênero foi elaborado pela Diretoria de Governança e Inteligência de Dados da pasta. O estudo analisou cargos comissionados e funções de confiança em órgãos da administração direta, autárquica e fundacional.
De acordo com os dados, considerando todos os níveis de liderança, as mulheres ocupam atualmente cerca de 43% desses postos na administração pública federal. Em 2022 esse percentual era de 39%, indicando avanço gradual na participação feminina em funções de direção, chefia e assessoramento.
No quadro geral de servidores federais, as mulheres também representam parcela significativa da força de trabalho. Em 2026 são cerca de 502 mil servidoras, o equivalente a aproximadamente 41,7% do total de profissionais da administração pública federal.
Avanços e desafios para a igualdade de gênero
Segundo especialistas envolvidas na pesquisa, o crescimento da participação feminina reflete políticas de inclusão e iniciativas voltadas à promoção da igualdade de oportunidades no setor público.
A diretora de programa da Secretaria de Gestão de Pessoas do ministério, Regina Camargos, destacou que ampliar a presença feminina em cargos de liderança é um compromisso permanente do governo.
Ela afirma que a atuação das mulheres fortalece a formulação e execução de políticas públicas e contribui para uma administração mais representativa e eficiente.
A coordenadora de Informações Gerenciais do ministério, Mayara Farias, observa que, embora a paridade entre homens e mulheres ainda não tenha sido alcançada, os dados indicam uma tendência de crescimento constante da presença feminina em cargos estratégicos.
Diversidade também avança entre lideranças
O estudo também identificou avanços na diversidade dentro da estrutura de liderança. A presença de mulheres negras e indígenas na alta liderança passou de 7,1% em 2022 para 12,3% em 2026. Nos cargos de média liderança o índice subiu de 13,1% para 15,2% no mesmo período.
Outro ponto destacado foi o crescimento da participação de mulheres com deficiência no serviço público federal. O percentual de servidoras com deficiência aumentou de 0,8% em 2022 para 2,7% em 2026. Nos cargos de alta liderança, onde antes não havia mulheres com deficiência identificadas, atualmente já existem 13 ocupando essas funções.
Em relação à formação acadêmica, o levantamento mostra que 99% das mulheres que ocupam cargos de alta liderança possuem ensino superior ou pós graduação, nível semelhante ao registrado entre os homens.
Concurso público também adotou medidas de equidade
Como parte das ações voltadas à igualdade de gênero, a segunda edição do Concurso Público Nacional Unificado adotou uma medida de equiparação entre homens e mulheres. Sempre que o número de mulheres classificadas para a segunda fase de determinado cargo fosse inferior a 50%, haveria ajuste na convocação para garantir equilíbrio de gênero, desde que as candidatas atingissem a nota mínima exigida.
Para as pesquisadoras, iniciativas desse tipo ajudam a reduzir barreiras históricas enfrentadas por mulheres no acesso a posições estratégicas dentro da administração pública.
Apesar dos avanços registrados, o estudo conclui que ainda existem desafios para alcançar plena igualdade de gênero nas estruturas de poder. Mesmo assim, a presença feminina no comando do serviço público federal segue em crescimento, contribuindo para uma gestão mais diversa e inclusiva.