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Garimpo

Golpe no garimpo: Operação da PF destrói máquinas pesadas na divisa entre Amapá e Pará

A Polícia Federal, em conjunto com órgãos ambientais, desarticulou sete áreas de garimpo ilegal na Amazônia, destruindo máquinas pesadas e milhares de litros de combustível.

15 mai 2026 - 12h25 Joice Gomes   atualizado às 12h26
Golpe no garimpo: Operação da PF destrói máquinas pesadas na divisa entre Amapá e Pará Maquinário pesado utilizado em garimpos ilegais foi destruído pelas forças de segurança durante a Operação Calha Norte. (Imagem: gerado por IA)

A inutilização de maquinário pesado avaliado em milhões de reais e a desarticulação de bases logísticas marcam a mais nova ofensiva federal contra o garimpo ilegal na Amazônia. Entre os dias 12 e 15 de março, a Operação Calha Norte concentrou esforços na sensível região de divisa entre o Amapá e o Pará, atingindo diretamente o coração financeiro da extração clandestina nos municípios de Laranjal do Jari e Almeirim.

A ação foi coordenada pela Polícia Federal em uma frente ampla que uniu o Ibama, o ICMBio e a Força Nacional, contando ainda com o suporte tático da Polícia Militar do Pará. O objetivo central não foi apenas a dispersão dos garimpeiros, mas a destruição da infraestrutura necessária para a atividade, tornando o prejuízo financeiro um fator de dissuasão para os financiadores do crime.

Na prática, isso muda o ritmo das invasões na região, já que a reposição de equipamentos de grande porte é lenta e custosa. Durante as incursões na mata densa, os agentes localizaram e destruíram quatro escavadeiras hidráulicas e dois tratores, máquinas fundamentais para a abertura de clareiras e revirada do solo em escala industrial.

O impacto direto na logística do crime

Além do maquinário pesado, a operação desferiu um golpe na sustentação diária dos acampamentos. Foram apreendidos e inutilizados aproximadamente 3.300 litros de óleo diesel, combustível que alimenta não apenas os tratores, mas também dezenas de motores e geradores que mantêm a operação ativa durante as 24 horas do dia.

Mas o impacto vai além da perda material imediata. A destruição de três quadriciclos e o desmonte de acampamentos clandestinos desarticulam a mobilidade interna nas áreas de extração, dificultando o escoamento do minério e a chegada de suprimentos. E é aqui que está o ponto central: sem logística, o garimpo se torna economicamente inviável a curto prazo.

A região da Calha Norte é historicamente cobiçada por redes criminosas devido ao seu difícil acesso, o que facilita a ocultação de pistas. No entanto, o monitoramento integrado permitiu a identificação precisa de sete pontos críticos que vinham operando sob a sombra da floresta, ignorando as restrições ambientais e sociais das terras adjacentes.

O que está por trás da Operação Calha Norte

Estudos recentes indicam que o avanço do garimpo ilegal não traz apenas degradação ambiental, mas um rastro de violência que atinge comunidades tradicionais. Pesquisas mostram que cerca de 60% dos quilombos na região sofrem algum tipo de pressão ou invasão, enquanto trabalhadores locais acabam cooptados por promessas de lucro rápido que raramente se concretizam.

A integração entre forças policiais e órgãos ambientais busca asfixiar o comércio ilegal de insumos, como a venda de diesel para terras indígenas, um problema recorrente que a PF vem combatendo em paralelo. A estratégia agora é manter a presença ostensiva para evitar que as áreas desarticuladas sejam retomadas assim que as equipes de fiscalização deixarem o local.

O desmonte desses sete garimpos serve como um lembrete da fragilidade do ecossistema e da necessidade de vigilância constante. Enquanto as máquinas viram cinzas na floresta, o Estado tenta retomar o controle de um território onde a lei do ouro tentou, por muito tempo, se sobrepor à preservação da vida e da soberania nacional.

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