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Qua, 15 de Julho
Rombo na Previdência

PF investiga rombo de R$ 107 milhões na previdência de Cajamar e afasta servidores

Polícia Federal deflagra Operação Off-Balance em Cajamar (SP) para apurar desvios de R$ 107 milhões no fundo de previdência dos servidores municipais.

13 mai 2026 - 11h19 Joice Gomes   atualizado às 11h21
PF investiga rombo de R$ 107 milhões na previdência de Cajamar e afasta servidores Agentes da Polícia Federal cumprem mandados contra crimes financeiros em São Paulo. (Imagem: gerado por IA)

A segurança financeira dos servidores públicos de Cajamar, na Grande São Paulo, está sob os holofotes da Polícia Federal nesta quarta-feira (13). A deflagração da Operação Off-Balance coloca em xeque a administração do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) da cidade, após a detecção de movimentações financeiras que podem comprometer milhões de reais destinados a futuras aposentadorias.

O foco central da investigação é uma suposta gestão temerária de recursos públicos. Na prática, isso significa que o dinheiro que deveria ser investido com máxima segurança foi exposto a riscos injustificáveis. Ao todo, seis mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos em Cajamar, Boituva e na capital paulista, acompanhados de ordens judiciais de afastamento de funções públicas e o bloqueio imediato de bens dos envolvidos.

Mas o que realmente acendeu o alerta das autoridades foi o montante envolvido e o destino dos aportes. Segundo a PF, cerca de R$ 107 milhões foram aplicados em letras financeiras emitidas por dois bancos privados, sob condições que agora são alvo de perícia minuciosa pela 9ª Vara Criminal Federal de São Paulo.

O que está por trás da Operação Off-Balance

A investigação aponta que a autarquia responsável pela previdência municipal teria realizado aplicações volumosas em ativos de alto risco, contrariando as diretrizes de prudência esperadas para fundos de pensão. O termo "Off-Balance", que dá nome à operação, faz alusão a manobras contábeis ou financeiras que podem ser usadas para ocultar o real estado das contas ou o risco real das operações realizadas.

Essa não é uma movimentação isolada no radar da Polícia Federal. Desde o ano passado, a corporação tem intensificado o cerco contra a emissão de letras financeiras irregulares. O padrão identificado em Cajamar guarda semelhanças com esquemas investigados em outros institutos de grande porte, como a Rioprevidência e a Amazonprev, onde instituições ligadas ao Banco Master também foram citadas em contextos de aplicações atípicas.

Como isso afeta o funcionalismo e a gestão pública

O impacto de uma gestão temerária em fundos de pensão é direto e severo: a longo prazo, a incapacidade do fundo em honrar os pagamentos de aposentados e pensionistas pode gerar um rombo que acaba sendo coberto pelo tesouro municipal, ou seja, pelo bolso do contribuinte. Por isso, a justiça determinou o afastamento imediato dos servidores suspeitos de facilitar ou autorizar tais operações para evitar que novos danos ocorram.

A indisponibilidade de bens é outra medida crucial para garantir o futuro ressarcimento aos cofres públicos caso a fraude seja comprovada. No momento, os agentes federais analisam os documentos e dispositivos eletrônicos apreendidos para identificar se houve recebimento de vantagens indevidas por parte dos gestores em troca do direcionamento desses vultosos investimentos.

A transparência sobre onde e como o dinheiro dos servidores é aplicado torna-se o ponto central do debate administrativo em Cajamar. O desdobramento desta operação pode revelar uma rede ainda mais ampla de conexões financeiras que utilizam fundos municipais para alimentar o mercado de crédito privado de forma artificial e perigosa, colocando em risco o sustento de milhares de famílias no futuro.

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